Uber supera previsões de receitas mas reforça investimento para atrair motoristas
As ações subiram mais de 7%, apesar de o transporte de passageiros e as entregas terem ficado abaixo das estimativas. A empresa quer aumentar a oferta de motoristas sem subir preços nem prolongar as esperas.
O que se passou
A Uber anunciou a 4 de novembro receitas do terceiro trimestre acima das previsões dos analistas, com um crescimento homólogo de 10%. As ações subiram mais de 7% na sessão de quarta-feira.
O transporte de passageiros registou uma queda de 2% nas receitas, para 7,52 mil milhões de dólares, abaixo dos 7,71 mil milhões esperados pelos analistas consultados pela StreetAccount. Nas entregas de comida, as receitas cresceram 23%, para 5,49 mil milhões, também aquém da estimativa de 5,51 mil milhões.
O transporte de mercadorias explicou a surpresa positiva nas receitas totais. Esta divisão cresceu 34%, para 1,76 mil milhões de dólares, acima dos 1,49 mil milhões previstos. O valor total das reservas atingiu 59,82 mil milhões, praticamente em linha com as estimativas.
O lucro líquido caiu 92%, para 512 milhões de dólares. A comparação é afetada por um benefício fiscal de 4,9 mil milhões registado no período homólogo.
O presidente executivo da Uber, Dara Khosrowshahi, afirmou à CNBC que a procura supera a oferta, sobretudo no transporte de passageiros. A empresa está a investir na captação de motoristas na Índia, no Brasil e nos Estados Unidos. Para o quarto trimestre, prevê reservas de 64,5 mil milhões de dólares no ponto médio do intervalo, em linha com as expectativas.
O que isto significa
A subida das receitas totais não traduz uma melhoria uniforme do negócio. O transporte de mercadorias compensou resultados abaixo das previsões nas duas principais atividades da Uber, o transporte de passageiros e as entregas de comida.
Na mobilidade, o problema identificado pela administração está na capacidade de responder aos pedidos. Khosrowshahi atribuiu o desempenho abaixo do esperado em vários mercados internacionais ao combustível mais caro e à menor disponibilidade de motoristas. Atrair mais condutores exige investimento numa altura em que a empresa quer evitar aumentos de preços e tempos de espera mais longos.
A queda do lucro líquido também exige separar o desempenho corrente do efeito fiscal do ano anterior. O benefício de 4,9 mil milhões de dólares tornou a base de comparação especialmente elevada, pelo que a descida de 92% não deve ser lida isoladamente como uma quebra equivalente da atividade.
A previsão de reservas para o quarto trimestre não altera substancialmente o cenário esperado pelos analistas. Se acompanhas a Uber, a evolução da oferta de motoristas e o investimento necessário para a reforçar ajudam a perceber se a empresa consegue transformar a procura existente em mais viagens.
Porque deves querer saber
Mais procura não chega sem motoristas
A Uber diz ter clientes para mais viagens do que consegue assegurar. A escassez de motoristas limita a capacidade de aproveitar essa procura, mesmo sem uma redução do interesse pelo serviço.
A resposta imediata passa por investir na captação de condutores. Para avaliares os próximos resultados, interessa acompanhar se esse esforço permite aumentar as viagens sem recorrer a preços mais altos ou deixar os passageiros à espera durante mais tempo.
Os veículos autónomos ainda não resolvem a falta de oferta
A Uber comprometeu cerca de 10 mil milhões de dólares em capital para levar mais veículos sem condutor à plataforma, através de parcerias e investimentos em empresas como a Rivian, a Nuro e a AVRide.
A empresa espera disponibilizar cerca de 700 veículos autónomos até ao final do ano e mais de 2.000 até ao final de 2027. Estes planos coexistem com o investimento em motoristas, mostrando que a expansão da condução autónoma não substitui a resposta à falta de condutores no imediato.


