McDonald's aumenta lucro, mas perde clientes nos EUA
O lucro trimestral subiu para 2,49 mil milhões de dólares. As vendas comparáveis nos EUA recuaram 0,2%, mas a expansão internacional ajudou o grupo a superar as previsões de crescimento.
O que se passou
A McDonald's apresentou a 4 de novembro resultados do terceiro trimestre com um lucro líquido de 2,49 mil milhões de dólares, face a 2,28 mil milhões um ano antes. O lucro por ação passou de 3,18 para 3,51 dólares.
Excluindo encargos de reestruturação e outros efeitos, o lucro por ação foi de 3,57 dólares. As vendas comparáveis do grupo, que medem a evolução dos restaurantes abertos há pelo menos 13 meses, cresceram 1,5%, acima dos 1,3% esperados pelos analistas consultados pela StreetAccount.
Nos EUA, a redução do número de clientes contribuiu para uma queda de 0,2% nas vendas comparáveis. Ainda assim, o desempenho foi melhor do que o recuo de 0,5% previsto pelos analistas. O presidente executivo, Chris Kempczinski, afirmou que o negócio melhorou ao longo do trimestre após a intervenção da empresa nas ofertas de preços mais acessíveis.
A divisão internacional de mercados licenciados, que inclui o Japão e a China, registou um crescimento de 4,2%, face aos 2,1% esperados. Na divisão de mercados internacionais operados, que inclui a Austrália e a Alemanha, as vendas comparáveis subiram 1,4%, abaixo da previsão de 2,1%. A empresa identificou França como um mercado fraco.
O que isto significa
A subida do lucro não foi acompanhada por uma recuperação do número de clientes nos EUA. A queda das vendas foi menor do que o mercado antecipava, mas o negócio americano continua sem apresentar crescimento neste indicador.
A execução das promoções mantém-se no centro da resposta da McDonald's. Em agosto, Kempczinski tinha reconhecido falhas na implementação das ofertas de preços mais acessíveis. Em setembro, a administração indicou que as vendas comparáveis de julho e agosto tinham sido ligeiramente negativas e esperava voltar ao crescimento em setembro. A melhoria agora referida pelo presidente executivo não confirma, por si só, esse resultado mensal.
O crescimento internacional compensou a fraqueza americana, mas não foi uniforme. Os mercados licenciados superaram as estimativas, enquanto a divisão que inclui a Austrália e a Alemanha ficou aquém. Se acompanhas a ação, esta diferença ajuda-te a perceber de onde veio o crescimento do grupo.
As ações da McDonald's acumulam uma queda de cerca de 11% no último ano. Os resultados mostram um lucro superior ao do período homólogo, mas deixam por demonstrar uma recuperação sustentada da procura nos restaurantes americanos.
Porque deves querer saber
Os descontos ainda não travaram a perda de clientes
A McDonald's tem recorrido a descontos nos últimos dois anos para atrair consumidores atentos ao orçamento. Mesmo com essa aposta, o número de clientes nos EUA caiu no trimestre e as vendas comparáveis continuaram negativas.
A melhoria ao longo do período, referida por Kempczinski, dá um sinal sobre a execução das ofertas. Para avaliares a recuperação do negócio americano, importa distinguir uma queda menor do que a prevista de um regresso efetivo ao crescimento.
O crescimento vem de fora dos EUA
A expansão das vendas internacionais permitiu à McDonald's crescer no conjunto do grupo apesar do recuo americano. Os mercados licenciados, que incluem o Japão e a China, tiveram um desempenho superior ao esperado.
A fraqueza em França e o resultado abaixo das previsões na divisão de mercados internacionais operados mostram que a procura também varia fora dos EUA. O crescimento global não traduz uma recuperação generalizada dos mercados da cadeia.


