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Empresas

CVS vai separar as farmácias e as ações caem 10%

A separação deverá ficar concluída no primeiro semestre de 2028. A seguradora Aetna e a Caremark ficam na CVS Health, enquanto as farmácias passam para a CVS Pharmacy.

Redação Clareza
04 de novembro de 2026, 16:023 min de leitura
CVS vai separar as farmácias e as ações caem 10%

O que se passou

A CVS Health anunciou, a 4 de novembro, que pretende dividir-se em duas empresas cotadas até ao primeiro semestre de 2028. O plano separa cerca de 9.000 farmácias do negócio de seguros e dos serviços de gestão de benefícios farmacêuticos. As ações caíram cerca de 10% após o anúncio.

A CVS Health manterá a seguradora Aetna e a Caremark, que gere benefícios de medicamentos para planos de saúde, sob a liderança do atual presidente executivo, David Joyner. Esta empresa incluirá também a Oak Street Health, a Signify Health e o negócio de medicamentos especializados.

A nova CVS Pharmacy será liderada por Prem Shah, atualmente presidente do grupo CVS Health. Os atuais acionistas receberão ações das duas empresas após a separação, decidida depois de uma revisão estratégica do conselho de administração.

O anúncio coincidiu com resultados do terceiro trimestre acima das expectativas de Wall Street. As receitas atingiram 108,40 mil milhões de dólares, face a 102,87 mil milhões no período homólogo, com crescimento nos negócios de seguros de saúde e de serviços de saúde.

O que isto significa

A separação desfaz a estrutura integrada que a CVS construiu com a aquisição da Aetna por 78 mil milhões de dólares, em 2018. Em vez de reunir farmácias, seguros e serviços de saúde numa única empresa, o grupo passa a defender que negócios mais focados conseguem melhorar a eficiência e a coordenação dos cuidados.

Se tens ações da CVS, passarás a ter participações em duas empresas com atividades distintas. Isso permitirá avaliar separadamente o desempenho das farmácias e o dos seguros e serviços de saúde, em vez de os analisar dentro do mesmo grupo.

A decisão surge durante um plano de recuperação liderado por Joyner, que inclui cortes de custos de 2 mil milhões de dólares, encerramentos de lojas e medidas para controlar os custos dos planos Medicare Advantage. Desde que assumiu a liderança, em outubro de 2024, as ações tinham subido cerca de 70%.

A queda no dia do anúncio ocorreu apesar de os resultados terem superado as expectativas. O plano acrescenta uma mudança de estrutura à recuperação operacional em curso, com a conclusão prevista apenas para o primeiro semestre de 2028.

Porque deves querer saber

As farmácias passam a responder por si

A CVS Pharmacy deixará de partilhar a mesma estrutura empresarial com a Aetna e a Caremark. Para os acionistas, o desempenho das lojas terá uma expressão própria em bolsa, sem ficar agregado aos resultados dos seguros.

O analista da Leerink Partners, Michael Cherny, considera que as farmácias têm ganho quota de mercado e que as margens brutas estão a estabilizar com o modelo de remuneração CostVantage. Na sua avaliação, estas melhorias podem tornar o negócio independente mais viável do que em anteriores discussões sobre uma separação.

A integração dos cuidados perde terreno

A CVS passou duas décadas a tentar reunir diferentes serviços de saúde no mesmo grupo. A separação abandona parte dessa estratégia, embora mantenha os seguros, a gestão de benefícios farmacêuticos e outros serviços de saúde dentro da CVS Health.

Os gestores de benefícios farmacêuticos enfrentam um escrutínio político crescente. Cherny admite que reduzir a integração vertical, ou seja, a presença do grupo em várias etapas dos cuidados de saúde, também pode ajudar a responder à pressão legislativa nos estados norte-americanos. Trata-se de uma hipótese do analista, não de uma razão confirmada pela empresa.

Fontes

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