Starbucks cai em bolsa com receitas abaixo do esperado
O resultado ajustado superou as previsões, mas as receitas e as vendas internacionais ficaram aquém. Nos EUA, o crescimento combinou mais visitas com maior despesa por cliente.
O que se passou
As ações da Starbucks caíram depois de a empresa apresentar, a 29 de outubro, resultados do quarto trimestre do exercício de 2026. O resultado ajustado por ação atingiu 0,80 dólares, acima dos 0,71 dólares esperados por Wall Street e mais 54% do que um ano antes.
As receitas consolidadas recuaram 4%, para 9,1 mil milhões de dólares, abaixo dos 9,2 mil milhões previstos. A quebra refletiu sobretudo a passagem das operações de retalho na China para uma empresa conjunta que opera sob licença.
As vendas comparáveis, que permitem acompanhar a evolução das lojas sem o efeito das novas aberturas, cresceram 7,2% a nível global, contra uma previsão de 6,2%. Foi o quinto trimestre consecutivo acima das expectativas. Nos EUA, subiram 7,7%, com um aumento de cerca de 5% na despesa média e de 2% nas transações.
O negócio internacional ficou aquém das previsões. As vendas comparáveis avançaram 0,9%, quando os analistas esperavam cerca de 3%. A despesa média cresceu aproximadamente 4%, mas as transações diminuíram perto de 3%.
O que isto significa
A recuperação operacional foi mais visível nos EUA. A Starbucks conseguiu aumentar tanto o número de transações como a despesa média por compra. Isto distingue o desempenho norte-americano do internacional, onde o aumento da despesa não compensou inteiramente a perda de visitas.
A descida das receitas consolidadas exige uma leitura diferente da evolução das lojas. A alteração do modelo de operação na China explica a maior parte da quebra, pelo que o recuo não representa, por si só, uma contração equivalente da procura. Ainda assim, as receitas ficaram abaixo do que os analistas já esperavam.
O presidente executivo, Brian Niccol, considera que o plano de recuperação Back to Starbucks passou a ser o plano de crescimento da empresa. Identificou potencial para abrir cerca de 5.000 lojas adicionais na América do Norte ao longo do tempo, depois de a Starbucks ter anunciado em setembro o encerramento de 250 espaços nos EUA e no Canadá.
Para o exercício de 2027, a diretora financeira, Cathy Smith, antecipa um crescimento de cerca de 4% nas vendas comparáveis da América do Norte. Se acompanhas a ação, esta previsão dá-te uma referência para avaliar se a recuperação mantém força depois do avanço mais elevado registado neste trimestre nos EUA.
Porque deves querer saber
Mais visitas sustentam a recuperação nos EUA
O aumento das transações nos EUA mostra que o crescimento não dependeu apenas de cada cliente gastar mais. A procura de artigos de marca e de bebidas de outono ajudou a elevar a despesa média, enquanto o número de compras também avançou.
Esse desempenho ajudou a Starbucks a superar as previsões de resultado por ação. A queda em bolsa mostra, porém, que essa surpresa positiva não bastou para impedir uma reação negativa numa divulgação marcada por receitas e vendas internacionais abaixo do esperado.
O crescimento internacional depende de recuperar visitas
Nos mercados internacionais, o aumento da despesa média coexistiu com menos transações. Para uma cadeia de cafetarias, esta diferença é relevante porque uma subida do valor de cada compra pode esconder uma redução na frequência das visitas.
Os resultados da Starbucks mostram como o crescimento das vendas pode ter bases distintas entre regiões. Ao avaliares empresas de consumo, separar a despesa por compra do número de transações ajuda-te a perceber se a expansão assenta numa procura mais forte ou sobretudo num valor maior por compra.


