
A Starbucks vende café e uma razão para voltar à loja
O negócio depende das visitas, do valor de cada compra e do custo de servir o cliente. A forma como explora as lojas também muda o que aparece nas receitas.
O café chega ao cliente através de dois modelos
A Starbucks opera muitas lojas diretamente e licencia a marca a parceiros noutras localizações. Nas lojas próprias, recebe as vendas e paga salários, rendas, ingredientes e os restantes custos. Nas licenciadas, a empresa recebe pelos produtos e pela relação com o parceiro. A receita por loja pode ser menor, mas os custos também são diferentes.
Por isso, duas redes com o mesmo número de lojas podem ter resultados muito distintos. Abrir uma loja própria exige dinheiro e uma equipa. Licenciar uma localização distribui parte dessa responsabilidade por outro operador. Para perceber a expansão, interessa saber onde chegam as novas lojas e qual destes modelos está a ser usado.
A China mudou a comparação das receitas internacionais
A operação na China passou para uma parceria em abril de 2026. A Starbucks mantém 40% dessa empresa e a marca continua presente, mas as vendas das lojas deixaram de entrar nas receitas consolidadas da mesma forma. A tabela mostra a descida das receitas internacionais depois dessa mudança.
Essa descida não equivale, por si só, a uma redução semelhante no café comprado pelos clientes. Parte resulta de mudar o que é incluído nas contas. Para acompanhar a procura, é preciso juntar as vendas comparáveis e as visitas à leitura das receitas. A percentagem na tabela mede a variação reportada, com esta alteração de operação incluída.
Receitas por área após a mudança na China
Terceiro trimestre fiscal de 2025 e de 2026
| Indicador | 2025 | 2026Var. % | Variação |
|---|---|---|---|
| América do Norte | 6,927 | 7,395+6,8% | +6,8% |
| Internacional | 2,011 | 1,323-34,2% | -34,2% |
| Channel Development | 0,484 | 0,588+21,5% | +21,5% |
Variação face a 2025, calculada com os valores apresentados.
A parceria na China passou a ser tratada fora da consolidação integral em abril de 2026. A variação Internacional inclui essa mudança e não mede uma evolução comparável das vendas das lojas. Channel Development inclui produtos vendidos através de outros canais.
Fonte · Starbucks, resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026Receber mais clientes exige conseguir servi-los bem
Uma loja pode ter boa procura e perder vendas quando o tempo de espera aumenta. A preparação de bebidas, a recolha das encomendas e a organização das equipas influenciam a experiência. Melhorar esse trabalho pode ajudar a transformar uma visita ocasional num hábito, sobretudo quando o cliente tem alternativas perto de casa ou do emprego.
Mas aumentar equipas ou simplificar o serviço também tem custos. O efeito nos resultados depende das compras adicionais que consegue gerar e da produtividade da loja. Por isso, interessa acompanhar as visitas juntamente com a margem operacional. Vender mais não garante que sobre uma proporção maior de dinheiro depois de servir cada cliente.
Os preços do café e os salários passam pela operação
A Starbucks compra ingredientes, paga trabalho e mantém instalações. Alguns custos podem subir antes de a empresa conseguir mudar os preços ao consumidor. Se a bebida ficar demasiado cara, o cliente pode comprar menos vezes. A margem resulta dessa negociação entre a procura e o custo real de manter a loja a funcionar.
As vendas comparáveis ajudam a acompanhar as lojas existentes, enquanto as aberturas mostram a expansão. Para o investidor, o crescimento ganha mais consistência quando vem acompanhado de visitas e de uma operação mais eficiente. Na área internacional, essa avaliação também precisa de respeitar a nova estrutura chinesa, para não confundir uma mudança contabilística com a procura dos clientes.
O que acompanhar
- As visitas acompanham o crescimento das vendas comparáveis?
- O investimento nas equipas e no serviço está a melhorar a margem das lojas?
- Como evoluem as vendas na China depois da alteração do modelo de operação?
Fontes
Texto atualizado em .


