Pfizer sobe previsões anuais com crescimento dos novos medicamentos
As receitas do terceiro trimestre ficaram praticamente estáveis, mas as vendas dos produtos novos e adquiridos cresceram 32% em termos operacionais. Cecile Guegan assume em definitivo a direção financeira.
O que se passou
A Pfizer apresentou a 3 de novembro resultados do terceiro trimestre acima das estimativas e reviu em alta as previsões para o ano. A farmacêutica espera agora receitas entre 62 e 64 mil milhões de dólares, face ao intervalo anterior de 60,5 a 62,5 mil milhões.
A previsão de resultado ajustado por ação passou de 2,80 a 3 dólares para 2,95 a 3,05 dólares. Este intervalo já inclui um encargo extraordinário de 650 milhões de dólares associado ao acordo de licenciamento e colaboração com a empresa chinesa de medicamentos oncológicos Innovent Biologics.
No trimestre, as receitas atingiram 16,58 mil milhões de dólares, praticamente em linha com o período homólogo. O resultado líquido caiu de 3,54 para 3,24 mil milhões de dólares, enquanto o resultado ajustado por ação foi de 0,87 dólares.
As vendas dos produtos recentemente lançados ou adquiridos cresceram 32% em termos operacionais. O anticoagulante Eliquis gerou 2,52 mil milhões de dólares, mais 25%, e o medicamento oncológico Padcev faturou 720 milhões. Ambos superaram as estimativas dos analistas.
A Pfizer anunciou também que Cecile Guegan assumiu este mês o cargo de diretora financeira, depois de exercer a função interinamente desde agosto. Com duas décadas em funções de liderança financeira na empresa, sucede a Dave Denton, que saiu para assumir o mesmo cargo na Nike.
O que isto significa
A subida das previsões mostra que os medicamentos novos e adquiridos estão a ajudar a compensar a quebra das vendas ligadas à Covid. Ainda assim, a Pfizer não regressou a um crescimento expressivo das receitas totais. O limite inferior da nova previsão anual continua ligeiramente abaixo dos 62,6 mil milhões de dólares registados em 2025.
O desempenho de Eliquis e Padcev ajuda a perceber essa compensação. As vendas do primeiro ultrapassaram os 2,40 mil milhões de dólares esperados pelos analistas, enquanto as do segundo ficaram acima da estimativa de 658 milhões. A evolução destes produtos ganha peso à medida que diminui o contributo da Covid.
A melhoria do resultado ajustado esperado também merece ser distinguida da evolução do resultado líquido. O lucro trimestral caiu face ao ano anterior, e a previsão ajustada inclui o impacto negativo de 0,10 dólares por ação do acordo com a Innovent. Se acompanhas a Pfizer, esta diferença ajuda-te a separar o desempenho operacional dos encargos associados aos acordos da empresa.
O diretor executivo, Albert Bourla, procura recuperar o crescimento através de aquisições e novos tratamentos oncológicos, além da entrada nos tratamentos para perda de peso com a aquisição da Metsera. Em paralelo, a Pfizer alargou em agosto o programa de redução de custos e aponta para cerca de 9,7 mil milhões de dólares de poupanças líquidas até 2029.
Porque deves querer saber
Novos medicamentos sustentam a revisão em alta
O crescimento dos produtos novos e adquiridos permitiu à Pfizer melhorar as previsões apesar da redução das vendas ligadas à Covid. O Padcev é um exemplo concreto, com receitas acima das expectativas dos analistas.
A revisão melhora a referência para avaliares os próximos resultados, mas não equivale a uma aceleração generalizada das vendas. As receitas trimestrais ficaram praticamente estáveis, pelo que o crescimento destes medicamentos ainda está sobretudo a compensar quebras noutras áreas.
A recuperação passa por renovar o portefólio
A Pfizer enfrenta a redução da procura de produtos para a Covid e a ameaça de concorrentes genéricos sobre alguns dos seus medicamentos mais importantes. As aquisições e os acordos de desenvolvimento procuram criar novas fontes de receitas para substituir esse contributo.
O encargo associado à Innovent mostra que essa renovação também pesa nos resultados atuais. Para avaliares a recuperação da empresa, interessa acompanhar tanto as vendas dos tratamentos incorporados como os custos necessários para os trazer para o portefólio.


