Renováveis sobem e juros da dívida recuam após vitória democrata no Congresso
A EDP Renováveis acompanha os ganhos do setor europeu, com a expectativa de maior proteção dos apoios às energias limpas. Os juros da dívida soberana recuam nos EUA e na Europa.
O que se passou
A conquista da maioria no Congresso dos Estados Unidos pelo Partido Democrata foi acompanhada por ganhos nas bolsas europeias e uma descida dos juros da dívida soberana. Na manhã de 4 de novembro, o PSI avançava 2,24% e o Stoxx 600 ganhava 1%.
A EDP Renováveis subia 4,14%, acompanhando a valorização de outras empresas de energias limpas. Vestas, Orsted, SMA Solar e Voltalia chegaram a registar ganhos entre 5% e 7%, perante a expectativa de políticas mais favoráveis ao setor, depois dos cortes nos apoios promovidos por Donald Trump.
Nas obrigações, a taxa de rentabilidade da dívida alemã a dez anos recuava dois pontos base, para 3,31%, enquanto a francesa descia cinco pontos base, para 4,89%. Nos EUA, a taxa das obrigações do Tesouro caía cinco pontos base, para 4,91%, com os investidores a ponderarem maior contenção da despesa federal.
Os futuros dos principais índices norte-americanos inverteram as perdas iniciais. Os do Dow Jones subiam 1%, os do S&P 500 avançavam 0,61% e os do Nasdaq ganhavam 0,47%. O dólar enfraquecia, com o euro a valorizar 0,62%, para 1,126 dólares.
O que isto significa
A subida das renováveis traduz uma revisão das expectativas políticas, não o anúncio de novos apoios. Um Congresso democrata poderá proteger melhor o financiamento já existente, mas a divisão de poder com um Presidente republicano também pode dificultar a aprovação de medidas.
Mathieu Racheter, responsável pela análise de estratégia de ações da Julius Baer, identifica as redes elétricas, as baterias e as infraestruturas de carregamento como potenciais beneficiários. A sua avaliação assenta sobretudo na possibilidade de preservar financiamento, embora os custos elevados de financiamento continuem a limitar o setor.
Se acompanhas a EDP Renováveis, a distinção relevante é entre uma melhoria das expectativas e uma alteração efetiva das condições do negócio. A valorização das ações mostra uma reação favorável ao resultado eleitoral, mas não confirma mudanças nos apoios ou nos resultados da empresa.
A descida das taxas de rentabilidade significa que as obrigações em circulação valorizaram. Ainda assim, o movimento não elimina a pressão sobre o custo do dinheiro. A estimativa rápida da inflação da zona euro acelerou para 4% em outubro, mantendo pressão para uma subida dos juros.
Porque deves querer saber
A EDP Renováveis acompanha a recuperação do setor
O ganho superior a 4% da EDP Renováveis surge numa sessão de valorização generalizada das energias limpas europeias. A reação não é exclusiva da empresa e reflete a expectativa de um enquadramento político menos desfavorável nos Estados Unidos.
Para avaliares o alcance desta subida, importa distinguir a proteção de apoios existentes da criação de novos incentivos. A primeira é apontada como uma possibilidade pela Julius Baer. A segunda não foi anunciada.
O Congresso dividido pesa nas contas da dívida
Os investidores estão a incorporar a possibilidade de os democratas limitarem o crescimento da despesa federal. O Congresso tem de aprovar novos programas orçamentais e o aumento do teto de endividamento, o que lhe dá influência sobre as decisões de financiamento dos EUA.
Essa expectativa acompanha a valorização das obrigações norte-americanas e a descida das respetivas taxas de rentabilidade. Na Europa, a dívida segue a mesma direção, apesar de a aceleração da inflação na zona euro manter pressão sobre os juros.



