Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley somam 52 mil milhões em receitas de ações
Os três bancos concentram quase 80% das receitas com ações dos cinco maiores bancos de investimento. O financiamento a fundos que apostam em inteligência artificial está a alimentar o crescimento.
O que se passou
Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley geraram, em conjunto, 52 mil milhões de dólares em receitas no negócio de ações até 30 de setembro de 2026. O valor representa quase 80% do total dos cinco maiores bancos de investimento, segundo os documentos financeiros das instituições.
Os cinco bancos somaram cerca de 67 mil milhões de dólares nestas receitas. Com um trimestre ainda por concluir, já ultrapassaram em 7 mil milhões o total de 2025, que tinha sido um ano recorde.
A valorização das ações ligadas à inteligência artificial e o aumento da negociação têm acompanhado uma maior procura de crédito pelos hedge funds, fundos que recorrem a estratégias de investimento mais complexas. Os bancos financiam estas operações através dos serviços de prime brokerage, que incluem empréstimos para investir e empréstimo de títulos.
No Goldman Sachs, as receitas de financiamento de ações cresceram 96% no terceiro trimestre, para um recorde de 3,37 mil milhões de dólares. JPMorgan e Morgan Stanley não divulgaram um valor separado para esta atividade, mas indicaram uma dinâmica semelhante.
O que isto significa
O negócio de ações destes bancos não depende apenas das comissões cobradas por executar transações. Ao emprestarem dinheiro aos fundos, também obtêm receitas do financiamento das posições. A procura por ações de fabricantes de chips e fornecedores de infraestrutura de IA está, assim, a alimentar outra fonte de rendimento para Wall Street.
A dimensão do balanço ajuda a explicar a concentração das receitas. Operações de grande dimensão exigem capacidade para conceder crédito e suportar perdas potenciais. Segundo responsáveis de negociação citados pela CNBC, os maiores bancos conseguem absorver riscos que levam concorrentes mais pequenos a recusar negócios.
Se acompanhas as ações destes bancos, o crescimento do financiamento ajuda-te a perceber a origem das receitas. Os responsáveis do setor defendem que esta atividade está a tornar o negócio de ações menos dependente de transações pontuais e mais assente em relações de crédito continuadas.
Essa evolução não elimina a ligação ao entusiasmo pela IA. Parte da procura de financiamento serve para ampliar apostas nesse tema. A continuidade dessas receitas dependerá, por isso, também da disposição dos fundos para manter posições financiadas por dívida.
Porque deves querer saber
O crédito ganha peso nas receitas dos bancos
O salto de 96% no financiamento de ações do Goldman Sachs mostra que a expansão vai além da compra e venda de títulos. O banco está a gerar mais receitas ao disponibilizar capital aos clientes que querem aumentar as suas posições.
Para avaliares os resultados, esta diferença importa. Uma relação de financiamento pode prolongar-se para lá de uma transação, embora continue ligada à procura de crédito e à capacidade dos clientes para suportar as suas posições.
A corrida à IA também concentra o negócio financeiro
As apostas em IA beneficiam os bancos capazes de financiar operações de grande dimensão em vários mercados. A oferta conjunta de crédito e serviços de negociação dá vantagem às instituições com maior escala.
O recuo de bancos europeus, incluindo o Credit Suisse, também favoreceu os prestadores norte-americanos de prime brokerage, segundo Herman Chan, analista da Bloomberg Intelligence. A concentração atual não resulta apenas da procura por IA, mas também de uma oferta de serviços mais limitada entre os grandes concorrentes.



