
O negócio da JPMorgan Chase, dos depósitos aos mercados
O banco recebe depósitos, concede crédito e presta serviços a empresas e investidores. Estas relações geram receitas diferentes e também trazem riscos diferentes.
O dinheiro dos clientes alimenta vários negócios
Uma pessoa pode usar a Chase para receber o salário, pagar as compras e financiar uma casa. Uma empresa pode recorrer à J.P. Morgan para fazer pagamentos, obter crédito ou colocar obrigações no mercado. Estas relações dão ao grupo diferentes formas de ganhar dinheiro, desde juros a comissões por serviços.
No crédito, o banco procura receber mais pelos empréstimos e investimentos do que paga para captar depósitos e financiar-se. A diferença tem de cobrir salários, tecnologia e perdas com clientes que não pagam. Portanto, captar muitos depósitos ajuda, mas também precisamos de perceber quanto custam e onde o banco aplica esse dinheiro.
As comissões dependem da atividade dos clientes
Quando as empresas compram outras empresas ou procuram financiamento, o banco pode cobrar pelo aconselhamento e pela colocação dos títulos. Também presta serviços a investidores que negoceiam nos mercados e recebe comissões pela gestão de património. Estas receitas permitem crescer sem transformar cada nova venda num empréstimo.
Mas a atividade varia. Um trimestre com muitas operações em bolsa pode favorecer o banco mesmo sem uma aceleração semelhante no crédito. A tabela separa as principais áreas para perceber de onde veio o crescimento, em vez de atribuir toda a melhoria às taxas de juro.
De onde vieram as receitas da JPMorgan Chase
Segundo trimestre de 2025 e de 2026
| Indicador | 2025 | 2026Var. % | Variação |
|---|---|---|---|
| Banca de particulares | 18,847 | 20,272+7,6% | +7,6% |
| Banca comercial e de investimento | 19,535 | 24,853+27,2% | +27,2% |
| Gestão de ativos e património | 5,76 | 6,851+18,9% | +18,9% |
| Área Corporate | 1,538 | 6,046+293,1% | +293,1% |
Variação face a 2025, calculada com os valores apresentados.
Receitas na base managed utilizada pelo banco, que inclui ajustes fiscais e difere da receita contabilística reportada. Corporate inclui ganhos pontuais relacionados com ações da Visa e outros investimentos. Não são receitas recorrentes de clientes.
Fonte · JPMorgan Chase, resultados do segundo trimestre de 2026O crédito pode demorar a mostrar os seus problemas
Um empréstimo cria receita antes de sabermos se o cliente vai pagar até ao fim. Quando o banco espera perder dinheiro, reconhece provisões, ou seja, um custo para antecipar essas perdas. Uma carteira que cresce depressa pode aumentar os juros recebidos e, mais tarde, exigir mais provisões.
Por isso, o crescimento dos saldos dos cartões deve ser acompanhado pelos atrasos e pelas perdas efetivas. Também interessa saber se os depósitos continuam a chegar sem obrigar o banco a pagar cada vez mais. Estes movimentos ajudam a avaliar se o crescimento está a melhorar os resultados ou a acrescentar risco.
Um trimestre forte não define o lucro dos próximos anos
Em junho de 2026, os resultados incluíram ganhos relacionados com ações da Visa e com outros investimentos. Esses ganhos fazem parte do resultado publicado, mas não significam que o banco tenha passado a cobrar mais todos os meses pelos seus serviços. Precisamos de os distinguir do desempenho dos clientes e do crédito.
Ao avaliar a ação, faz mais sentido acompanhar vários trimestres de receitas, perdas de crédito e capital disponível. O capital protege o banco quando surgem perdas e limita quanto pode emprestar ou devolver aos acionistas. Um negócio rentável continua a precisar dessa proteção para atravessar períodos menos favoráveis.
O que acompanhar
- As receitas dos clientes continuam a crescer sem os ganhos pontuais?
- As perdas nos cartões acompanham o crescimento do crédito?
- O custo dos depósitos e o capital permitem manter a rentabilidade?
Fontes
Texto atualizado em .


