Ataques ucranianos reduzem exportações russas de gasóleo em mais de 75%
A Rússia exportou 141 mil barris por dia em setembro, contra 608 mil um ano antes. Os danos nas refinarias ameaçam o acordo entre Donald Trump e Vladimir Putin para aumentar o abastecimento mundial.
O que se passou
As exportações russas de gasóleo caíram mais de 75% em setembro, para 141 mil barris por dia, face a 608 mil no mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Kpler. Os ataques ucranianos a refinarias e infraestruturas petrolíferas reduziram a capacidade de fornecimento da Rússia, que era o segundo maior fornecedor mundial deste combustível, depois dos Estados Unidos.
A campanha voltou a intensificar-se esta semana. Segundo relatos dos meios de comunicação estatais, mais de mil drones ucranianos atingiram a Rússia só no domingo. Um terminal de exportação de petróleo em São Petersburgo ficou em chamas. Kiev abandonou a breve adesão à trégua energética anunciada por Trump em 11 de outubro, depois de Moscovo não a ter respeitado.
A Rússia tinha proibido as exportações em julho para proteger o abastecimento interno e retomou parcialmente os envios em outubro. Ao abrigo do acordo entre Trump e Putin, Moscovo comprometeu-se a fornecer cerca de 75 mil barris diários em outubro e 124 mil em novembro. Matt Smith, diretor de investigação de matérias-primas da Kpler, considera improvável recuperar esses volumes sem uma trégua energética.
Nos Estados Unidos, o preço médio do gasóleo chegou a 6,32 dólares por galão na terça-feira, quase 75% acima do valor de um ano antes, segundo a AAA. Trump responsabilizou a Ucrânia pela subida, a menos de duas semanas das eleições intercalares. Mas o mercado já estava pressionado pelas perturbações nas exportações do Médio Oriente associadas à guerra com o Irão.
O que isto significa
O recuo russo retira oferta a um mercado que já perdeu combustível de outra origem importante. Segundo Matt Smith, as exportações de gasóleo através do estreito de Ormuz estão cerca de 540 mil barris por dia abaixo do nível do ano anterior. A quebra russa junta-se, assim, à redução dos envios do Médio Oriente.
Os volumes prometidos por Moscovo não equivalem a uma recuperação das exportações anteriores. Tatiana Mitrova, especialista na indústria petrolífera russa do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia, considera-os muito reduzidos face à procura total. Mesmo que fossem entregues, não resolveriam por si só a pressão sobre o abastecimento.
A duração dos danos também conta. Segundo Mitrova, a Ucrânia passou a atingir equipamento de refinação mais complexo, cuja substituição depende de fornecedores fora da Rússia. As sanções dificultam essas compras e a reposição pode demorar vários meses, em vez das poucas semanas necessárias para reparar um depósito de combustível.
Se acompanhas o mercado energético, a capacidade efetiva de exportar torna-se mais relevante do que os compromissos anunciados. A recuperação da oferta russa depende tanto da reparação das instalações como da interrupção dos ataques. O acordo político, por si só, não garante o regresso dos barris ao mercado.
Porque deves querer saber
O acordo não garante o regresso do gasóleo
A retoma parcial das exportações russas em outubro não elimina os danos nas instalações. A Kpler considera improvável que Moscovo consiga entregar os volumes acordados com Trump sem um cessar-fogo energético.
Esta diferença entre oferta prometida e combustível disponível ajuda-te a avaliar os anúncios sobre abastecimento. Num mercado já afetado pela quebra dos envios do Médio Oriente, a capacidade de carregar e exportar gasóleo continua limitada.
Reparar refinarias pode levar vários meses
Os ataques deixaram de se concentrar apenas em alvos de reparação relativamente rápida. Segundo Tatiana Mitrova, a Ucrânia aprendeu a atingir unidades de refinação mais complexas, cujo equipamento não pode ser substituído de imediato.
A dependência de fornecedores externos e as dificuldades criadas pelas sanções podem prolongar a perda de produção. O impacto no mercado energético pode, por isso, persistir para lá do ataque inicial, mesmo quando os incêndios já foram extintos.

