Witkoff negoceia com Putin e Zelensky exige lugar à mesa
O enviado norte-americano discute o fim da guerra com o presidente russo. Zelensky diz que Washington reafirmou o compromisso de dar garantias de segurança à Ucrânia, mas rejeita acordos sem a participação de Kiev.
O que se passou
O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, mantém conversações com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre o fim da guerra na Ucrânia. A iniciativa surge depois de o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, ter exigido que Kiev participe em qualquer negociação sobre o futuro do país.
Em Oslo, ao lado dos líderes da Finlândia e da Noruega, Zelensky afirmou que as conversações com responsáveis norte-americanos tinham sido construtivas. Segundo o presidente ucraniano, Washington reafirmou o compromisso de oferecer garantias de segurança à Ucrânia.
Zelensky disse também ter discutido com representantes dos EUA a proposta noticiada de uma reunião entre os Estados Unidos, a China e a Rússia. Insistiu que um acordo só será aceitável se a Ucrânia estiver à mesa das negociações.
As conversações em Oslo incluíram diferentes garantias de segurança e o artigo 5 da NATO, que considera um ataque armado contra um membro como um ataque contra todos. Segundo Zelensky, Witkoff transmitirá essas opções aos responsáveis russos.
Entretanto, meios de comunicação locais noticiaram novos ataques russos contra alvos energéticos e civis na Ucrânia. Zelensky confirmou ainda que os serviços de informações dos EUA retomaram a partilha de alertas antecipados sobre ataques russos, enquanto prosseguem discussões sobre a ligação Starlink, da SpaceX, e os sistemas de defesa aérea Patriot.
O que isto significa
As conversações abrem um canal para discutir o fim da guerra, mas a participação de Kiev continua por resolver. A exigência de Zelensky impede que um eventual entendimento entre Washington e Moscovo seja tratado como um acordo já aceite pela Ucrânia.
As garantias de segurança são uma parte central dessa diferença. O compromisso norte-americano foi reafirmado, segundo Zelensky, mas as modalidades continuam em discussão. A referência ao artigo 5 da NATO não equivale ao anúncio de uma proteção desse tipo para a Ucrânia.
A energia continua exposta ao conflito. Donald Trump afirmou, em 11 de outubro, ter conseguido um cessar-fogo sobre ataques a infraestruturas energéticas, num período de preços elevados do gasóleo. A Ucrânia suspendeu esses ataques durante três dias e retomou-os, invocando a continuação dos ataques russos.
Se acompanhas investimentos sensíveis à energia ou às sanções, a distinção relevante é entre uma iniciativa diplomática e um compromisso aplicado no terreno. Os novos ataques e as divergências sobre quem participa nas negociações mostram que as condições de um acordo continuam em aberto.
Porque deves querer saber
Os ataques mantêm a energia exposta
A continuidade dos ataques a infraestruturas energéticas limita o alcance do cessar-fogo anunciado por Trump. A suspensão ucraniana durou três dias, antes de Kiev retomar as operações por considerar que a Rússia continuava a atacar.
Para os investimentos ligados à energia, as conversações ainda não oferecem confirmação de uma redução duradoura do risco. O cumprimento de uma pausa nos ataques é um elemento mais concreto do que o anúncio de contactos diplomáticos.
Kiev exige participar no acordo
A oposição de Zelensky a negociações sem a Ucrânia expõe uma dificuldade para a diplomacia norte-americana. Discutir condições com Moscovo não assegura que Kiev as aceite, mesmo com a promessa de garantias de segurança dos EUA.
As sanções também dividem os dois países. Trump acusou Zelensky de não querer a paz, enquanto o presidente ucraniano argumenta que o alívio das sanções à Rússia, incluindo um acordo sobre gasóleo, pode prolongar a guerra. O desacordo envolve tanto as condições de paz como a pressão económica sobre Moscovo.

