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Energia

Petróleo sobe com novas ameaças ao transporte no estreito de Ormuz

O Brent avançou para 110,13 dólares por barril. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que minas navais impediram a passagem de três petroleiros, enquanto os custos de transporte continuam elevados.

Redação Clareza
21 de outubro de 2026, 07:023 min de leitura
Petróleo sobe com novas ameaças ao transporte no estreito de Ormuz

O que se passou

Os preços do petróleo subiram na quarta-feira, 21 de outubro, perante os receios de perturbações no abastecimento do Médio Oriente. Os futuros do Brent ganharam 1,22%, para 110,13 dólares por barril, e os do West Texas Intermediate, referência norte-americana, avançaram 1,11%, para 98,92 dólares.

A Guarda Revolucionária iraniana afirmou na terça-feira que minas navais tinham impedido três petroleiros de atravessar o estreito de Ormuz por rotas que Teerão considerava não autorizadas. Num comunicado publicado no seu portal oficial, a força declarou que dois desses navios tinham sido incendiados e imobilizados por explosões de minas.

Na segunda-feira, os rebeldes huthis do Iémen reivindicaram ataques contra instalações da Saudi Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah e aeroportos em Riade e Abha.

A tensão também está a encarecer o transporte marítimo. Num relatório publicado na terça-feira, o Goldman Sachs indicou que o custo médio global do transporte de crude ultrapassou 20 dólares por barril, face a 3 dólares um ano antes. Apesar de algum alívio nos últimos dias, permanece cerca de sete vezes acima do nível de há um ano.

O que isto significa

A pressão sobre o petróleo não se limita ao preço do barril. Transportar o crude até às refinarias tornou-se muito mais caro, acrescentando um custo que pode afetar a rentabilidade da transformação do petróleo em combustíveis.

O Goldman Sachs estima que os prémios de risco de guerra associados à travessia de Ormuz e as transferências de petróleo entre navios fora do Golfo Pérsico estão entre os fatores que encarecem o transporte. O risco geopolítico está, assim, a traduzir-se em despesas concretas na cadeia de abastecimento.

O banco alerta que os fretes elevados podem aumentar as diferenças de preço entre tipos de crude e comprimir as margens das refinarias. As unidades asiáticas estão particularmente expostas e, segundo os analistas, a pressão sobre a rentabilidade pode ameaçar a produção de combustíveis.

Se acompanhas empresas de energia, esta distinção importa. A subida do crude e o aumento dos custos de transporte não têm o mesmo efeito em toda a cadeia. Nas refinarias, a capacidade de repercutir esses custos no preço dos combustíveis será determinante para as margens.

Porque deves querer saber

O transporte pesa nas margens das refinarias

O petróleo mais caro chega acompanhado de uma subida acentuada dos fretes. Para as refinarias, isso significa maior pressão sobre o custo da matéria-prima entregue, antes mesmo de a transformar em gasolina ou gasóleo.

O Goldman Sachs assinala um impacto particularmente forte nas margens das refinarias asiáticas. Se tens exposição a empresas de refinação, a evolução dos custos de transporte ajuda-te a perceber por que razão uma subida do petróleo não beneficia todo o setor energético.

O risco em Ormuz pode chegar aos combustíveis

As ameaças à navegação afetam mais do que os navios que atravessam o estreito. Os prémios de risco e as transferências entre petroleiros fora do Golfo Pérsico acrescentam custos ao abastecimento.

O Goldman Sachs avisa que a pressão sobre as refinarias pode reduzir a produção e fazer subir os preços globais dos combustíveis refinados. O custo final da energia depende, por isso, tanto da disponibilidade de petróleo como das condições para o transportar e transformar.

Fontes

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