EUA proíbem DeepSeek nos sistemas das agências federais civis
A ordem obriga a retirar a tecnologia da empresa chinesa e impede novas compras, incluindo produtos de terceiros que a utilizem. O Departamento da Defesa fica fora desta medida.
O que se passou
O Departamento de Segurança Interna dos EUA tornou pública uma ordem que proíbe a tecnologia da DeepSeek nos sistemas informáticos das agências federais civis. A administração Trump justifica a decisão com preocupações de segurança.
Emitida em 24 de julho, a ordem exige a remoção dessa tecnologia e impede a contratação de produtos e serviços da empresa chinesa de inteligência artificial. Abrange também soluções de terceiros desenvolvidas com tecnologia da DeepSeek.
A medida aplica-se a organismos como os departamentos do Tesouro, de Estado e da Justiça, mas exclui o Departamento da Defesa. As agências podem pedir exceções ou adiamentos mediante justificação escrita, num prazo de 60 dias após a emissão da ordem.
O Departamento de Segurança Interna alerta para o eventual acesso das autoridades chinesas a dados sensíveis e para possíveis vulnerabilidades de cibersegurança. A DeepSeek não respondeu de imediato ao pedido de comentário da CNBC.
O que isto significa
A restrição não se limita a impedir que funcionários públicos utilizem diretamente a DeepSeek. Ao abranger produtos de terceiros, obriga também os fornecedores das agências civis a verificar se as suas soluções incorporam tecnologia da empresa.
A decisão alarga restrições que já existiam em partes da administração norte-americana. Em dezembro de 2025, o Congresso restringiu o uso da DeepSeek nos sistemas dos serviços de informações. Outras limitações tinham sido adotadas durante esse ano por organismos ligados ao Comércio e à Defesa.
Os riscos invocados são avaliações do Departamento de Segurança Interna. A entidade considera que os modelos podem permitir a transferência de informação sensível para a China e cita investigação pública sobre falhas críticas na aplicação da DeepSeek para iOS. Isso não equivale à confirmação de que dados governamentais tenham sido transferidos.
Se acompanhas empresas que fornecem IA ao setor público, esta ordem torna relevante conhecer a tecnologia que está por trás de cada produto. A elegibilidade para contratos públicos passa também pela origem dos modelos utilizados, e não apenas pelas funcionalidades da solução.
Porque deves querer saber
A proibição chega aos fornecedores externos
A DeepSeek fica impedida de fornecer produtos e serviços às agências federais civis abrangidas. Mas o alcance comercial da ordem estende-se a empresas que integrem a sua tecnologia em soluções vendidas a esses organismos.
Para esses fornecedores, verificar os modelos incorporados nos produtos torna-se necessário para cumprir a restrição. A ordem exige ainda retirar a tecnologia dos sistemas existentes, pelo que não afeta apenas futuras compras.
A origem dos modelos pesa nos contratos públicos
A decisão surge durante o agravamento das tensões entre Washington e Pequim, com a inteligência artificial no centro da disputa tecnológica. As preocupações com o acesso a dados passam a condicionar a utilização de modelos chineses em mais organismos norte-americanos.
O episódio mostra-te que a adoção de IA pelo Estado não depende apenas da capacidade técnica dos modelos. As regras de segurança e a relação com o país de origem também podem limitar o mercado acessível a uma empresa e aos seus parceiros.

