Brent fecha acima dos 109 dólares após novos ataques reivindicados pelos houthis
Os houthis dizem ter atingido aeroportos e instalações da Aramco na Arábia Saudita. Na Rússia, ataques ucranianos provocaram incêndios em infraestruturas petrolíferas de São Petersburgo.
O que se passou
Os futuros do Brent, referência internacional para o petróleo, fecharam a sessão de segunda-feira, 19 de outubro, nos 109,55 dólares por barril. Apesar de terem atingido os 110,70 dólares durante a sessão, terminaram com uma descida de 31 cêntimos. O West Texas Intermediate, referência norte-americana, subiu 2,25 dólares para 103,66 dólares.
Os houthis, apoiados pelo Irão, reivindicaram ataques contra os aeroportos de Riade e Abha, instalações da Saudi Aramco em Yanbu, o campo petrolífero de Shaybah e forças navais sauditas. A Arábia Saudita adiou para o próximo ano a conferência Future Investment Initiative, prevista para a semana seguinte, devido à escalada dos ataques.
Na Rússia, o governador de São Petersburgo, Alexander Beglov, afirmou que uma vaga de ataques ucranianos com drones no domingo provocou incêndios num terminal e num depósito de petróleo. Segundo os dados da Kpler, o terminal exporta cerca de 120 mil barris diários de produtos refinados, sobretudo fuelóleo. A dimensão dos danos não era conhecida.
Os riscos também chegaram ao transporte marítimo. O centro britânico de operações de comércio marítimo, UKMTO, registou ataques contra dois petroleiros ao largo da Arábia Saudita na sexta-feira. Um foi alvo de uma granada lançada por uma pequena embarcação e o outro foi atingido por um projétil não identificado.
O que isto significa
O fecho do Brent não mostra uma subida diária, apesar da tensão e do máximo atingido durante a sessão. A diferença entre esse máximo e o preço final permite distinguir a reação do mercado ao longo do dia do saldo efetivo no fecho da sessão.
Os episódios colocam em risco diferentes partes do abastecimento. As reivindicações dos houthis abrangem instalações de produção e infraestruturas sauditas, enquanto os incêndios em São Petersburgo atingem estruturas ligadas ao armazenamento e à exportação de produtos refinados. Os ataques a petroleiros acrescentam risco ao transporte.
Ainda não há informação suficiente para quantificar uma perda de oferta. As reivindicações de ataques na Arábia Saudita não demonstram, por si só, uma interrupção da produção. No terminal russo, a capacidade de exportação habitual também não equivale ao volume que poderá ter ficado indisponível.
A evolução do conflito volta a pesar na avaliação do petróleo. A Ucrânia tinha suspendido brevemente os ataques a instalações energéticas russas depois de Donald Trump anunciar uma trégua em 11 de outubro. A continuação dos ataques russos levou Volodymyr Zelenskyy a anunciar a retoma de ações de retaliação, reduzindo a duração dessa pausa.
Porque deves querer saber
O Brent recuou no fecho apesar da tensão
O Brent terminou abaixo do fecho anterior, enquanto o petróleo norte-americano avançou. Os dois contratos não tiveram, por isso, a mesma evolução diária, mesmo perante os novos riscos geopolíticos.
Se acompanhas investimentos ligados ao petróleo, interessa separar o preço observado durante a sessão do preço de fecho. O Brent chegou aos 110,70 dólares, mas encerrou nos 109,55 dólares. A tensão não se traduziu numa valorização diária desta referência.
Os ataques atingem também as rotas do petróleo
O risco não se limita aos campos petrolíferos. Os incidentes com petroleiros ao largo da Arábia Saudita mostram que o transporte está igualmente exposto, ao mesmo tempo que os ataques na Rússia atingem instalações de exportação de combustíveis.
Esta dispersão obriga a acompanhar tanto a produção como a capacidade de fazer chegar petróleo e derivados aos compradores. Sem dados sobre interrupções efetivas ou sobre os danos no terminal russo, não é possível transformar os ataques anunciados numa estimativa fiável de oferta perdida.

