Arábia Saudita adia conferência de investidores para 2027 após ataques
O Future Investment Initiative estava marcado para 26 a 29 de outubro, em Riade. O adiamento surge após sucessivos ataques com mísseis e drones dos houthis, apoiados pelo Irão.
O que se passou
A Arábia Saudita adiou para 2027 o Future Investment Initiative, a sua grande conferência anual de investidores. O anúncio foi feito a 19 de outubro, quando faltava uma semana para o início do encontro em Riade. A organização indicou que divulgará em breve as novas datas.
A decisão surge depois do ataque dos houthis ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, a 10 de outubro, que deixou pelo menos 12 mortos e mais de 300 feridos. Desde então, o grupo apoiado pelo Irão lançou sucessivas vagas de mísseis e drones contra o reino.
Um porta-voz das forças armadas sauditas afirmou que foram destruídos vários drones dirigidos à região de Riade na sexta-feira e no sábado. Na sexta-feira, foram também intercetados mísseis sobre o Mar Vermelho, incluindo um que seguia na direção de Yanbu, cidade portuária com um terminal petrolífero.
O programa da conferência incluía nomes como Jamie Dimon, do JPMorgan Chase, e Larry Fink, da BlackRock. Segundo a CNBC, alguns participantes e oradores planeavam voar primeiro para o Bahrein e seguir depois de carro até Riade, numa viagem de cinco horas.
O que isto significa
O adiamento retira à Arábia Saudita um dos principais encontros usados para apresentar os seus projetos a investidores internacionais. Criado pelo fundo soberano saudita em 2017, o Future Investment Initiative tem servido os planos de redução da dependência do petróleo.
Foi na primeira edição, em 2017, que o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman apresentou o megaprojeto NEOM. A conferência funciona, por isso, como uma montra da transformação económica pretendida pelo reino, e não apenas como um encontro do setor financeiro.
A deterioração da segurança já interfere com essa agenda. O adiamento mostra que o risco regional está a afetar a capacidade de reunir investidores e responsáveis de empresas, numa altura em que a guerra entre os Estados Unidos e o Irão se estende pela região.
Os ataques também colocam infraestruturas económicas sob ameaça. A interceção de um míssil que seguia para Yanbu torna a segurança dos terminais petrolíferos um ponto concreto a acompanhar, embora não tenha sido indicada qualquer interrupção das operações.
Porque deves querer saber
Riade perde um encontro com grandes investidores
O adiamento interrompe a preparação de uma conferência que tinha entre os oradores representantes de grandes instituições financeiras internacionais. As novas datas de 2027 ainda não foram anunciadas.
Os planos de viagem relatados pela CNBC já mostravam dificuldades de acesso. Alguns participantes preparavam uma deslocação pelo Bahrein, seguida de cinco horas de carro, antes de a organização decidir adiar o evento.
Os ataques atingem a agenda para além do petróleo
A Arábia Saudita usa a conferência para promover uma economia menos dependente do petróleo. A insegurança está agora a condicionar esse instrumento de aproximação ao investimento internacional.
Ao mesmo tempo, a ameaça mantém-se sobre infraestruturas ligadas à energia, como mostra o míssil intercetado na direção de Yanbu. O risco geopolítico abrange assim tanto a atividade petrolífera como os projetos que procuram reduzir o seu peso na economia.

