ETF alavancados somam 487 mil milhões de dólares de exposição ao mercado
No 39.º aniversário da segunda-feira negra, os fundos que multiplicam os retornos diários voltam a destacar um risco. A necessidade de ajustar a exposição pode gerar mais vendas quando as ações caem.
O que se passou
Os 200 maiores ETF alavancados tinham uma exposição ao mercado de 487 mil milhões de dólares em 27 de setembro, contando com o efeito da alavancagem. O valor estava a cerca de 10% do recorde, segundo uma nota de Todd Sohn, estratega-chefe de ETF da Baird Strategas, citada pela Yahoo Finance.
O dado ganha destaque em 19 de outubro de 2026, quando passam 39 anos sobre a segunda-feira negra. Nesse dia de 1987, o Dow Jones caiu 508 pontos, aproximadamente 23%, na maior perda percentual diária da sua história.
As estratégias de proteção de carteiras contribuíram para agravar essa queda. Vendiam futuros sobre índices de ações à medida que os preços desciam, alimentando uma sequência em que novas vendas provocavam mais perdas.
Hoje, os ETF alavancados que procuram duplicar ou triplicar o retorno diário de uma ação ou índice podem gerar uma dinâmica semelhante. Para manterem o seu objetivo diário, geralmente reduzem a exposição depois de perdas e aumentam-na depois de ganhos.
O que isto significa
Os 487 mil milhões de dólares medem exposição ao mercado, não apenas dinheiro aplicado pelos investidores. A alavancagem permite que os fundos assumam posições superiores ao capital que recebem, ampliando tanto os ganhos como as perdas.
Se investes num destes ETF, o objetivo de multiplicar o retorno é diário. O fundo precisa de ajustar as posições para continuar a cumprir esse objetivo, pelo que a sua atividade pode acompanhar e acentuar a direção do mercado.
A comparação com 1987 está neste mecanismo de reforço das quedas, não numa repetição garantida do colapso. Sohn identifica a dimensão destes produtos como um dos riscos relevantes para o quarto trimestre e o início de 2027.
Há também fatores que podem atenuar o efeito. Investigação da Reserva Federal concluiu que as entradas e saídas de dinheiro dos investidores podem reduzir a necessidade de os fundos ajustarem as posições. A exposição elevada, por si só, não permite determinar quanto terão de vender numa sessão de perdas.
Porque deves querer saber
As quedas podem obrigar os fundos a vender
Um ETF que procura duplicar o retorno diário de uma ação precisa, em geral, de reduzir a exposição quando essa ação cai. A venda não depende apenas de uma decisão de investimento sobre a empresa, mas também da necessidade de manter a alavancagem definida.
Isto ajuda-te a perceber por que razão estes produtos podem acrescentar pressão vendedora numa sessão negativa. As entradas e saídas de dinheiro podem diminuir esse ajustamento, pelo que o efeito não é automático nem tem sempre a mesma dimensão.
Os semicondutores mostram a velocidade do crescimento
Um estudo publicado em setembro pelo Banco de Pagamentos Internacionais mostrou que os produtos alavancados ligados à Samsung, SK Hynix e Micron passaram de menos de 100 milhões de dólares em ativos, em meados de 2025, para mais de 38 mil milhões no pico de junho.
Esta concentração liga a volatilidade das ações de semicondutores aos ajustamentos dos fundos que multiplicam os seus retornos. Ao analisares o risco destes produtos, não basta avaliar as empresas subjacentes. A forma como o fundo reage às perdas também influencia a exposição que manténs ao setor.

