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Macroeconomia

Empresas recuam nas expectativas de aumento de preços

O Banco de Portugal diz que a subida das intenções de aumentar preços após o conflito no Médio Oriente foi revertida nos últimos meses. O cenário é diferente do observado em 2022, após a invasão russa da Ucrânia.

Redação Clareza
07 de outubro de 2026, 17:033 min de leitura
Empresas recuam nas expectativas de aumento de preços

O que se passou

As expectativas de preços das empresas em Portugal voltaram aos níveis observados antes do aumento registado após o início do conflito no Médio Oriente. A conclusão consta do Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal, publicado esta quarta-feira.

A análise usa os inquéritos mensais de conjuntura às empresas da Comissão Europeia. As empresas indicam nesses inquéritos se esperam aumentar, manter ou reduzir os preços de venda nos três meses seguintes.

Depois do início do conflito no Médio Oriente, a proporção de empresas que antecipava aumentos de preços subiu para cerca de 27%. Nos meses seguintes, esse aumento foi revertido.

O Banco de Portugal compara este episódio com 2022. Após a invasão russa da Ucrânia, a inflação já estava em aceleração, com 4,4% em Portugal e 5,9% na Zona Euro em fevereiro desse ano. Em meados de 2022, cerca de 34% das empresas em Portugal e 44% na Zona Euro esperavam subir preços nos três meses seguintes.

O que isto significa

A reversão das expectativas reduz o risco de um choque energético se transformar rapidamente em aumentos generalizados de preços. Para quem investe, isto ajuda a perceber se a inflação pode voltar a pressionar bancos centrais, obrigações e ações sensíveis a taxas de juro.

O contraste com 2022 é relevante porque a economia partia de condições diferentes. Nessa altura, a reabertura pós-pandemia ainda sustentava a procura, havia consumo adiado e escassez de mão-de-obra. O choque de energia juntou-se a uma inflação que já subia.

Agora, o Banco de Portugal assinala que as pressões de procura são menores e que as condições monetárias e financeiras são mais restritivas do que no início de 2022. Isso limita a capacidade das empresas para passar aumentos de custos para os preços finais.

A informação não elimina o risco de novas pressões nos custos, sobretudo se energia e petróleo voltarem a subir. Mas mostra que, até agora, as empresas não mantiveram uma intenção crescente de subir preços como aconteceu no episódio de 2022.

Porque deves querer saber

Menos pressão nos preços de venda

A queda das expectativas de aumento de preços sugere que as empresas estão menos inclinadas a repercutir custos nos clientes nos próximos três meses. Esse sinal é relevante para setores expostos ao consumo, onde o poder de fixação de preços influencia margens e volumes.

Para o mercado, a diferença está na persistência. Um aumento temporário das intenções de subir preços pesa menos nas expectativas de inflação do que uma tendência prolongada e disseminada entre empresas.

O choque energético não está a repetir 2022

O Banco de Portugal distingue o episódio atual do choque provocado pela guerra na Ucrânia. Em 2022, as matérias-primas energéticas subiram num momento em que a inflação e a procura já estavam fortes.

Agora, as variações do gás e de outras matérias-primas foram mais contidas, exceto no petróleo. A política monetária mais restritiva também torna a transmissão para preços finais menos direta do que na fase de reabertura da economia.

Fontes

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