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Macroeconomia

Capital estrangeiro explica 71% do crescimento das exportações de serviços

O Banco de Portugal estima que empresas com participação estrangeira já representam 58% do valor exportado em serviços não turísticos. Em 2016, esse peso era de 41%.

Redação Clareza
07 de outubro de 2026, 14:033 min de leitura
Capital estrangeiro explica 71% do crescimento das exportações de serviços

O que se passou

As empresas com capital estrangeiro explicaram 71% do crescimento das exportações portuguesas de serviços não turísticos entre 2016 e 2025, segundo o Boletim Económico de outubro do Banco de Portugal.

Estes serviços incluem áreas como informática, consultoria, transportes e outros serviços vendidos ao exterior, excluindo viagens e turismo. Em 2025, representavam 10,3% do PIB, face a 3,1% em 1996, e tinham já um peso nas exportações totais superior ao das viagens e turismo.

O Banco de Portugal considera empresas de investimento direto estrangeiro as entidades residentes em que pelo menos 10% dos direitos de voto pertencem a entidades não residentes, dando controlo ou influência significativa sobre a empresa em Portugal.

A percentagem de exportadoras de serviços não turísticos com participação estrangeira subiu de 27% em 2016 para 36% em 2025. Em valor exportado, o peso passou de 41% para 58% no mesmo período.

A presença estrangeira é especialmente forte nos serviços de telecomunicações, informáticos e de informação, onde chegou a 85% das exportações em 2025, e nos outros serviços empresariais, onde atingiu 73%.

O que isto significa

Portugal está a vender mais serviços ao exterior fora do turismo, e esse crescimento depende cada vez mais de empresas ligadas a capital estrangeiro. Para quem investe, isto ajuda a perceber de onde vem uma parte relevante da melhoria estrutural das exportações portuguesas.

A subida do peso dos serviços não turísticos reduz a leitura tradicional de uma economia externa muito centrada em viagens e turismo. Informática, consultoria, transportes e serviços empresariais ganham dimensão na relação de Portugal com o exterior.

A concentração também aumenta o risco específico. O Banco de Portugal indica que metade destas exportações foi feita, em média entre 2016 e 2025, por apenas 1,1% das empresas exportadoras, o que corresponde a 94 empresas. Em 2025, as quatro maiores exportadoras representavam 20,1% do total e as 20 maiores chegavam a 33,8%.

O crescimento veio sobretudo de empresas que já exportavam e passaram a vender mais. As novas entradas no mercado externo, descontadas as saídas, explicaram 18,1% do aumento acumulado. A base exportadora alargou, mas o motor principal continua a estar nas empresas já instaladas.

Porque deves querer saber

As empresas estrangeiras ganharam peso nas vendas ao exterior

O impacto imediato está na forma como se lê a capacidade exportadora portuguesa. Mais de metade do valor exportado em serviços não turísticos já vem de empresas com participação estrangeira.

Isto torna o investimento direto estrangeiro mais relevante para acompanhar a evolução da balança externa. Se estas empresas aumentam escala em Portugal, o efeito aparece nas exportações de serviços e no peso de setores como informática e serviços empresariais.

A economia portuguesa está menos dependente do turismo exportador

Os serviços não turísticos valiam 10,3% do PIB em 2025 e superavam as viagens e turismo no peso das exportações totais. A economia portuguesa passou a ter uma componente externa de serviços mais diversificada do que a imagem centrada no turismo sugere.

A concentração em poucas empresas limita essa diversificação. O crescimento é forte, mas está muito ligado a grandes exportadoras e a capital estrangeiro, o que torna a evolução futura dependente da permanência e expansão dessas operações em Portugal.

Fontes

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