Banco de Portugal sobe previsão de inflação para 2027
O banco central mantém a previsão de 3,1% para 2026 e aponta para um pico perto de 3,6% no último trimestre. A energia explica a maior parte da pressão deste ano.
O que se passou
O Banco de Portugal reviu em alta a previsão de inflação para 2027. A estimativa passou de 2,2%, avançada em junho, para 2,4%, de acordo com o Boletim Económico de outubro publicado esta quarta-feira.
Para 2026, o banco central manteve a projeção de 3,1%. A instituição espera que a inflação suba este ano e depois volte a aproximar-se de valores compatíveis com a estabilidade de preços, com 2,4% em 2027 e 2,0% em 2028.
A inflação aumentou de 2,2% no primeiro trimestre de 2026 para 3,4% no terceiro. O Banco de Portugal antecipa que o pico seja atingido entre outubro e dezembro, em torno de 3,6%.
A pressão vem sobretudo dos bens energéticos, em particular gasolina e gasóleo, refletindo a subida do preço do petróleo. A inflação sem energia também aumenta em 2026, mas menos, com efeitos nos serviços ligados ao turismo e transmissão de pressões externas para os preços internos.
A inflação homóloga em Portugal acelerou em setembro para 3,6%, mais 0,3 pontos percentuais do que no mês anterior, segundo a estimativa rápida do Instituto Nacional de Estatística. Foi a segunda subida consecutiva, depois do abrandamento entre abril e julho.
O que isto significa
A revisão para 2027 prolonga o período em que a inflação fica acima de 2%, a referência usada pelo Banco Central Europeu para a estabilidade de preços. Para quem investe, isto mantém a atenção nas taxas de juro, no rendimento real das obrigações e na capacidade das empresas para proteger margens.
O Banco de Portugal continua a esperar uma descida depois do pico de 2026. A diferença está no ponto de chegada de 2027, agora ligeiramente mais alto. A trajetória de desinflação continua no cenário central, mas com menos alívio do que se antecipava em junho.
A energia é o canal principal desta revisão. Se a pressão do petróleo se dissipar como o banco central assume, os bens energéticos passam de uma subida de 10,5% em 2026 para variações de -0,1% em 2027 e -1% em 2028.
Os serviços descem mais devagar porque dependem dos custos unitários do trabalho. O Banco de Portugal assume que os efeitos indiretos sobre salários e margens serão limitados, mas reconhece incerteza elevada sobre a duração do choque energético e os atrasos na transmissão aos preços.
Porque deves querer saber
Energia mantém a inflação acima do alvo
A subida da gasolina e do gasóleo tem impacto direto no índice de preços e também pode chegar aos custos das empresas. Transportes, distribuição e atividades com consumo intensivo de energia ficam mais expostos a esta fase.
A previsão de 3,1% para 2026 não mudou, mas o pico esperado no último trimestre mostra que o choque ainda não passou. Para as carteiras, isso torna mais relevante perceber que empresas conseguem absorver custos sem perder margem.
Desinflação fica mais lenta em Portugal
O Banco de Portugal ainda aponta para uma convergência até 2,0% em 2028. A revisão de 2027 para 2,4% mostra que o caminho até lá ficou menos direto.
O episódio atual parece mais contido do que o choque associado à invasão russa da Ucrânia. O banco central aponta para menor aumento nos preços da energia e dos alimentos, e para uma propagação mais limitada à inflação subjacente, que exclui energia e alimentos.

