Schaeffler corta 3.460 empregos e fecha cinco fábricas na Europa
A fabricante de componentes automóveis concentra os cortes na Alemanha e procura oportunidades na defesa e na robótica. A reestruturação deverá melhorar os resultados anuais em cerca de 300 milhões de euros a partir de 2030.
O que se passou
A Schaeffler anunciou a 3 de novembro o corte de 3.460 postos de trabalho e o encerramento de cinco unidades na Europa. A fabricante de componentes atribui a decisão à crise da indústria automóvel, à concorrência externa e à transformação tecnológica do setor.
A Alemanha concentra cerca de 2.660 dos empregos e quatro das unidades abrangidas. Entre os encerramentos estão as fábricas de Dortmund e Morbach, que produzem componentes para motores de combustão. O grupo também vai ajustar capacidade em França e na Eslováquia.
Somando programas anteriores e 1.800 acordos de passagem gradual à reforma já assinados, a empresa prevê reduzir cerca de 18% do seu quadro principal de trabalhadores na Alemanha até 2028. Estima que estas medidas melhorem os resultados anuais em cerca de 300 milhões de euros a partir de 2030.
No terceiro trimestre, as receitas caíram 0,2% face ao período homólogo, para 5,8 mil milhões de euros. O resultado antes de juros e impostos, excluindo efeitos extraordinários, recuou 7,2%, para 245 milhões de euros.
O presidente executivo da Schaeffler, Klaus Rosenfeld, disse à CNBC que o grupo pretende reorganizar a capacidade existente para abrir espaço a novas atividades, incluindo defesa e robótica. Identificou excesso de capacidade industrial, custos elevados com pessoal e uma organização demasiado complexa entre os problemas a resolver.
O que isto significa
A Schaeffler enfrenta uma transição que pressiona simultaneamente os seus negócios antigos e novos. A procura de componentes para motores de combustão está a enfraquecer, mas a adoção de veículos elétricos avança mais devagar do que a empresa esperava. A atividade ligada à mobilidade elétrica continua a dar prejuízo.
A queda dos resultados operacionais foi superior à das receitas no terceiro trimestre. Para avaliares a reestruturação, importa distinguir a pressão atual sobre a rentabilidade do benefício anual que a administração só prevê alcançar a partir de 2030.
A redução de capacidade ocorre num mercado europeu menor. As matrículas de automóveis novos na União Europeia passaram de 15,3 milhões em 2019 para 10,8 milhões em 2025. Ao mesmo tempo, as marcas chinesas estão a ganhar terreno nos elétricos, segundo Rico Luman, economista sénior do ING para os setores automóvel e dos transportes.
A defesa e a robótica podem abrir novas fontes de procura, mas não substituem automaticamente o volume de produção automóvel. Luman salienta que são mercados menos orientados para a produção em massa e que exigem menos trabalhadores. A diversificação terá, por isso, de ser avaliada pela atividade que conseguir gerar, não apenas pela capacidade industrial que ficar disponível.
Porque deves querer saber
Os cortes procuram recuperar a rentabilidade
A Schaeffler quer eliminar capacidade que já não corresponde à procura e reduzir os custos da operação alemã. A empresa aponta custos por trabalhador acima da média e demasiados níveis de gestão como obstáculos à eficiência.
O objetivo de melhorar os resultados anuais em cerca de 300 milhões de euros só se aplica a partir de 2030. Até lá, a evolução dos resultados permitirá perceber se o ajustamento acompanha a quebra na procura de componentes de combustão e as perdas na mobilidade elétrica.
A diversificação também exige desenvolvimento
Os veículos elétricos têm menos componentes e são menos complexos de fabricar, o que reduz o mercado disponível para alguns fornecedores, explica Rico Luman. A passagem para novas motorizações não preserva necessariamente o volume de trabalho associado aos motores de combustão.
A Schaeffler procura oportunidades na defesa e na robótica, mas 30% dos novos cortes de emprego incidem na investigação e desenvolvimento. Luman mostrou surpresa com essa proporção, dado o esforço necessário para criar produtos e entrar em novos mercados. A reestruturação terá de conciliar a redução de custos com essa necessidade de desenvolvimento.

