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Macroeconomia

Rússia confirma negociações de paz com a Ucrânia em Abu Dhabi

As conversações de 10 e 11 de novembro terão mediação dos EUA. O Kremlin também prepara uma possível reunião entre Putin, Trump e Xi Jinping, mas a participação de Kyiv nesse encontro não está assegurada.

Redação Clareza
03 de novembro de 2026, 14:033 min de leitura
Rússia confirma negociações de paz com a Ucrânia em Abu Dhabi

O que se passou

A Rússia confirmou esta terça-feira que vai participar em negociações de paz com a Ucrânia e os Estados Unidos em Abu Dhabi, a 10 e 11 de novembro. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, anunciou que Vladimir Medinsky, assessor de Vladimir Putin, chefiará a delegação russa, segundo a Reuters.

O enviado especial norte-americano Steve Witkoff tinha anunciado que Washington iria mediar as conversações. A agenda inclui questões de segurança, redução das hostilidades e assuntos humanitários. Os negociadores norte-americanos também vão reunir-se esta semana, em Bruxelas, com responsáveis europeus e da NATO para discutir garantias de segurança após a guerra e a reconstrução da Ucrânia.

Peskov afirmou ainda que o Kremlin espera concluir nos próximos dias os preparativos para uma reunião entre Vladimir Putin, Donald Trump e Xi Jinping. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, já tinha defendido, a 20 de outubro, que qualquer negociação sobre o futuro do país tem de incluir Kyiv.

Separadamente, a Casa Branca anunciou que Melania Trump receberá representantes russos e ucranianos na quinta-feira para discutir o cessar-fogo local na região de Kherson. A pausa de seis dias em Oleshky e nas áreas próximas terminou na segunda-feira. A Casa Branca atribuiu a mediação à primeira-dama, enquanto a Ucrânia acusou a Rússia de aproveitar a interrupção dos combates para reforçar posições militares.

O que isto significa

A confirmação de Moscovo dá uma data e uma delegação às conversações anunciadas por Washington. Ainda não representa um acordo de paz. Os temas previstos para Abu Dhabi abrangem medidas de segurança e questões humanitárias, sem que tenha sido anunciado um entendimento sobre o fim da guerra.

A participação ucraniana distingue os dois processos diplomáticos. Kyiv está incluída nas conversações de Abu Dhabi, mas não foi anunciada a sua presença na eventual reunião entre os líderes da Rússia, dos EUA e da China. A exigência de Zelenskyy de participar nas decisões sobre o país deixa essa questão por resolver.

Se acompanhas investimentos expostos à região, a diferença entre uma reunião marcada e um compromisso aceite pelas partes é essencial para avaliar o risco geopolítico. Os encontros em Bruxelas colocam também as garantias de segurança e a reconstrução na agenda, mas ainda não foram divulgadas decisões concretas nesses domínios.

O cessar-fogo local mostra os limites dos avanços alcançados até agora. A pausa destinava-se à evacuação de residentes, mas terminou acompanhada de uma acusação ucraniana de reforço militar russo. Esse desacordo continua presente enquanto se preparam novas negociações.

Porque deves querer saber

Abu Dhabi dá uma data à negociação

A confirmação russa transforma o anúncio norte-americano num encontro com participação assumida por Moscovo. O próximo passo será perceber se a agenda de segurança e assuntos humanitários produz compromissos concretos entre as partes.

Para avaliares o risco associado ao conflito, o resultado das conversações será mais relevante do que a sua realização. Não foi anunciado qualquer acordo que permita tratar estes encontros como o fim das hostilidades.

O lugar de Kyiv continua em discussão

A eventual cimeira entre Putin, Trump e Xi Jinping abre uma discussão sobre quem participa nas decisões sobre a Ucrânia. Zelenskyy rejeita negociações sobre o futuro do país sem representação ucraniana, embora Kyiv esteja incluída no encontro de Abu Dhabi.

As reuniões previstas com responsáveis europeus e da NATO acrescentam outra dimensão ao processo. As garantias de segurança e a reconstrução serão discutidas em Bruxelas, pelo que as conversações não se limitam à interrupção dos combates.

Fontes

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