Portugal e Grécia querem alargar cooperação a drones e satélites
A intenção foi anunciada após um acordo para a venda de três aviões KC-390 à Grécia por cerca de 590 milhões de euros. O negócio deverá gerar um retorno de 33 milhões para o Estado português.
O que se passou
Portugal e Grécia pretendem aprofundar a cooperação na produção de drones, nos satélites e nos sistemas de defesa. O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou essa intenção em Atenas, a 2 de novembro, após a assinatura de um acordo entre os dois Estados para a venda de três aeronaves Embraer KC-390.
O negócio ronda os 590 milhões de euros e deverá gerar 33 milhões de euros de retorno para o Estado português. Inclui os aviões, equipamentos de missão, apoio à entrada em serviço e assistência posterior à Força Aérea grega.
Portugal ficará responsável pela supervisão da produção e pelo acompanhamento da aceitação e entrega das aeronaves. Assegurará também a transição operacional e a formação inicial das tripulações e dos mecânicos gregos, na Base Aérea de Beja.
Os dois países assinaram ainda um acordo de cooperação entre as suas forças aéreas. O ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, manifestou também interesse em aprofundar parcerias na construção de aeronaves e embarcações, incluindo porta-drones.
O que isto significa
O acordo dos KC-390 dá uma dimensão financeira concreta à cooperação entre Portugal e a Grécia. O retorno previsto para o Estado português resulta da participação nacional no desenvolvimento e produção do avião e na sua adaptação e certificação aos requisitos da NATO.
Os 590 milhões de euros correspondem ao valor global do negócio, não à receita de Portugal. Para avaliares o impacto nas contas públicas portuguesas, a referência relevante é o retorno esperado de 33 milhões de euros.
A participação portuguesa também vai além da entrega dos aparelhos. A supervisão da produção, a formação e o apoio operacional atribuem a Portugal responsabilidades na entrada em serviço dos aviões na Grécia. Nuno Melo apresentou o acordo como parte de uma parceria de longo prazo.
A cooperação em drones e satélites permanece, porém, no plano das intenções anunciadas. Não foram apresentados valores, calendários ou contratos para essas áreas. O acordo dos aviões é, por isso, o compromisso concreto a distinguir das possibilidades de colaboração industrial.
Porque deves querer saber
O contrato traz retorno e trabalho para Portugal
O retorno esperado de 33 milhões de euros está ligado à participação portuguesa no programa KC-390. Não corresponde ao valor dos três aviões, mas ao benefício financeiro previsto para o Estado português neste negócio.
A execução passa também por Beja, onde serão formados os primeiros tripulantes e mecânicos gregos. Portugal terá ainda de acompanhar a produção e a entrega, assumindo um papel operacional no cumprimento do contrato.
Drones e satélites ainda esperam por compromissos
Os dois governos querem levar a relação para outras áreas da defesa. Portugal destacou drones e satélites, enquanto a Grécia apontou também para a construção de embarcações como os porta-drones.
Se acompanhas o setor, a distinção relevante é entre essa intenção política e uma encomenda efetiva. Sem valores ou calendários anunciados para os novos projetos, ainda não é possível atribuir-lhes um impacto financeiro concreto.

