Apple supera previsões com vendas fortes do iPhone, mas China fica aquém
As receitas atingiram 114,48 mil milhões de dólares no quarto trimestre fiscal. Na primeira apresentação de resultados de John Ternus como CEO, a empresa antecipou mais pressão dos custos de memória.
O que se passou
A Apple apresentou os resultados do quarto trimestre fiscal após o fecho do mercado de 2 de novembro de 2026. As receitas chegaram a 114,48 mil milhões de dólares, acima dos 113,46 mil milhões esperados pelo consenso de analistas compilado pela Bloomberg. O resultado por ação foi de 2,10 dólares, face à previsão de 2,00 dólares.
No período homólogo, a empresa tinha registado receitas de 102,46 mil milhões de dólares e um resultado por ação de 1,85 dólares. O iPhone contribuiu com 57,58 mil milhões de dólares, superando a estimativa de 56,48 mil milhões.
As receitas da Grande China ficaram em 17,54 mil milhões de dólares, abaixo dos 18,75 mil milhões previstos, apesar de terem crescido 28% face ao ano anterior. O Mac gerou 10,79 mil milhões de dólares, acima dos 9,69 mil milhões esperados. Os serviços ficaram praticamente em linha com as estimativas, com 31,57 mil milhões.
Esta foi a primeira apresentação de resultados de John Ternus como presidente executivo, depois de suceder a Tim Cook em 1 de setembro. O diretor financeiro, Kevan Parekh, apontou para um crescimento homólogo das receitas entre 7% e 10% no trimestre de dezembro e uma margem bruta entre 45% e 46%.
O que isto significa
O iPhone e o Mac ajudaram a Apple a superar as expectativas de receitas. Os serviços, o segundo maior segmento da empresa, não trouxeram uma surpresa relevante face ao consenso. O desempenho dos equipamentos foi, por isso, decisivo para o desvio positivo.
A China exige uma distinção entre crescimento e expectativas. As receitas aumentaram 28% em termos homólogos, mas ficaram abaixo do que os analistas antecipavam. Se acompanhas a Apple, este resultado não equivale a uma quebra de vendas na região, embora mostre que a recuperação esperada era mais forte.
A atenção passa agora também para os custos. Ternus atribuiu a subida dos preços da memória à expansão da infraestrutura de inteligência artificial e antecipou custos ainda mais elevados no trimestre de dezembro. A empresa espera compensar parte dessa pressão através dos preços dos produtos e de inventário já disponível.
A Apple prevê limitações de oferta no Mac e no iPad no trimestre de dezembro relacionadas com a memória. Para além desse período, Ternus espera que os preços continuem a subir e que o benefício do inventário existente diminua. Assim, o crescimento das vendas terá de ser acompanhado pela evolução da margem, não apenas pelo volume de receitas.
Porque deves querer saber
O iPhone sustenta a surpresa nos resultados
As vendas do iPhone ultrapassaram as previsões e deram o maior contributo para as receitas da Apple. O Mac também superou o consenso, enquanto os serviços ficaram praticamente em linha com o esperado.
A previsão de crescimento entre 7% e 10% para o trimestre de dezembro prolonga a expectativa de expansão das receitas. Mas as limitações de oferta previstas para o Mac e o iPad podem condicionar a capacidade de transformar a procura em vendas.
A expansão da IA encarece a memória
A pressão da inteligência artificial sobre os componentes chega também aos fabricantes de dispositivos. Ternus associou o aumento dos preços da memória à expansão da infraestrutura de IA, enquanto a Apple antecipou custos superiores no trimestre de dezembro.
O diretor de operações, Sabih Khan, afirmou que a empresa aumentou os compromissos de compra em 33 mil milhões de dólares entre os trimestres de junho e setembro para melhorar o abastecimento de memória. Garantir componentes e preservar a margem tornam-se, assim, questões ligadas, sobretudo à medida que diminui a proteção oferecida pelo inventário já disponível.


