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Energia

Irão ameaça responder a novos ataques e navios relatam disparos

Teerão diz ter preparado uma nova resposta militar caso os EUA e Israel retomem os ataques. Incidentes com navios na Península Arábica agravam os riscos para o transporte de energia.

Redação Clareza
18 de outubro de 2026, 16:023 min de leitura
Irão ameaça responder a novos ataques e navios relatam disparos

O que se passou

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão, Mohsen Rezaei, afirmou este domingo, 18 de outubro, que as forças armadas prepararam um novo plano de resposta a eventuais ataques dos EUA e de Israel. Numa publicação no X, ameaçou uma reação mais destrutiva do que nos conflitos anteriores, sem revelar detalhes operacionais.

As autoridades marítimas britânicas UKMTO, que acompanham a segurança da navegação comercial, relataram vários incidentes nas águas em redor da Península Arábica. Um rebocador foi atingido por dois projéteis de origem desconhecida no domingo, a nordeste dos Emirados Árabes Unidos.

No sábado, um navio de transporte de gás natural liquefeito a sudoeste do Iémen comunicou que uma pequena embarcação disparou na sua direção. A equipa de segurança respondeu com tiros de aviso. Na sexta-feira, outro navio-tanque, a nordeste da Arábia Saudita, relatou ter sido atingido por uma granada lançada a partir de uma pequena embarcação.

O petróleo já tinha subido acentuadamente na sexta-feira, num dia marcado pela tensão no Médio Oriente e pela promessa da Ucrânia de continuar a atacar refinarias russas. Os contratos de futuros do Brent chegaram aos 110 dólares por barril e fecharam nos 109,86 dólares, com uma subida de 3,7%. O WTI, referência norte-americana, avançou 3,5%, para 101,41 dólares.

Donald Trump afirmou na semana passada que não tenciona usar armas nucleares contra o Irão nem prevê enviar tropas terrestres para o país. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse, citado pela agência estatal IRNA, que Teerão continua disponível para o diálogo, embora rejeite ceder direitos soberanos sob pressão.

O que isto significa

A ameaça iraniana surge quando o mercado petrolífero já está a incorporar maior risco de conflito. Na semana passada, o WTI ganhou mais de 10% e o Brent quase 5%. O aviso de domingo é posterior ao fecho de sexta-feira, pelo que essas subidas não representam uma reação ao novo plano anunciado por Teerão.

Os relatos de disparos contra navios colocam o transporte de energia no centro da tensão. Os incidentes envolveram um navio de gás natural liquefeito e um navio-tanque, além do rebocador. A informação disponível não identifica os responsáveis nem permite concluir que houve uma interrupção generalizada do abastecimento.

O risco também atinge as infraestruturas em terra. Segundo um porta-voz militar saudita, o país intercetou na sexta-feira vários mísseis sobre o mar Vermelho, incluindo um dirigido ao terminal de exportação de petróleo de Yanbu. O Ministério da Energia saudita afirmou ainda que um edifício administrativo da Aramco, em Dhahran, foi atingido na terça-feira.

Se acompanhas investimentos ligados à energia, a distinção relevante é entre ameaças militares, incidentes de segurança e perdas efetivas de produção ou exportação. Os acontecimentos relatados mostram riscos para navios e instalações, mas não quantificam uma redução da oferta de petróleo.

Porque deves querer saber

O petróleo já subia antes do aviso iraniano

O Brent terminou a sexta-feira perto do máximo da sessão, depois de tocar nos 110 dólares por barril pela primeira vez desde maio. A subida ocorreu antes da declaração de Rezaei no domingo.

Esta sequência ajuda-te a interpretar o movimento do mercado sem atribuir ao novo aviso uma reação que ainda não estava refletida nesses preços. A tensão no Médio Oriente e os ataques a refinarias russas já faziam parte do cenário acompanhado pelos investidores.

A tensão chega aos navios e aos terminais

Os incidentes marítimos foram relatados em diferentes pontos da Península Arábica. Ao mesmo tempo, a Arábia Saudita comunicou a interceção de um míssil dirigido ao terminal de Yanbu, ligando a segurança da navegação à das instalações de exportação.

O risco para o setor energético não se limita, por isso, aos campos de produção. A capacidade de transportar e exportar combustíveis também está exposta, embora os relatos disponíveis não demonstrem uma quebra generalizada desses fluxos.

Fontes

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