Trump rejeita armas nucleares contra o Irão e não prevê enviar tropas terrestres
Os EUA terão preparado novas opções de ataque a instalações energéticas e nucleares iranianas. No estreito de Ormuz, oito ataques desde 11 de outubro mantêm o transporte marítimo sob ameaça.
O que se passou
Donald Trump afirmou que não pretende usar armas nucleares contra o Irão e que não prevê enviar tropas terrestres para o país. As declarações foram feitas numa entrevista à Newsmax transmitida na noite de 15 de outubro.
Questionado sobre relatos de uma possível utilização da MOAB, a maior bomba não nuclear do arsenal norte-americano, Trump sublinhou que se trata de uma arma convencional. Não confirmou nem desmentiu que essa opção esteja a ser considerada. A bomba foi utilizada em combate no Afeganistão em 2017, contra militantes do Estado Islâmico.
A CNN noticiou na quinta-feira que os militares norte-americanos prepararam novos planos para atacar infraestruturas energéticas e instalações nucleares iranianas, caso Trump ordene o regresso às operações de combate. A Casa Branca não respondeu de imediato ao pedido de comentário da CNBC. Em 8 de outubro, Trump tinha afirmado que não ordenaria novos ataques antes das eleições intercalares de 3 de novembro.
Entretanto, a UKMTO, entidade britânica que acompanha a segurança do transporte marítimo, manteve a ameaça no estreito de Ormuz no nível «severo». O porta-contentores GFS Pride, registado em Singapura, foi atingido por um projétil não identificado, incendiou-se e acabou por se afundar. A entidade considera muito provável uma ação hostil deliberada e registou oito ataques naquela passagem desde 11 de outubro.
O que isto significa
As declarações de Trump afastam a intenção de recorrer a armas nucleares, mas não equivalem a uma renúncia a novos ataques. A resposta sobre tropas terrestres também descreve a sua perspetiva atual, sem esclarecer quais as operações convencionais que poderá autorizar.
Os planos noticiados pela CNN colocam as infraestruturas energéticas entre os possíveis alvos. Para avaliares o risco no setor da energia, a distinção relevante é entre opções militares preparadas e uma decisão efetiva de as executar. Não foi anunciada uma ordem de ataque.
O transporte marítimo enfrenta já uma ameaça concreta no estreito de Ormuz. O afundamento do GFS Pride e os ataques registados pela UKMTO mostram que o risco para a circulação comercial se mantém, independentemente das declarações sobre os meios militares que Washington pretende excluir.
Porque deves querer saber
O transporte marítimo continua sob ameaça
A exclusão de armas nucleares não elimina o perigo para os navios que atravessam o estreito de Ormuz. A UKMTO mantém a classificação de ameaça severa após uma sequência de ataques que inclui o afundamento de um porta-contentores.
Se acompanhas empresas ligadas ao transporte marítimo, os incidentes na rota comercial são um sinal mais imediato de risco operacional do que a discussão sobre o tipo de bomba que os EUA poderão utilizar.
A energia permanece entre os possíveis alvos
Os novos planos militares descritos pela CNN incluem infraestruturas energéticas iranianas. Isso mantém o setor da energia exposto a uma eventual retoma das operações, mesmo sem recurso a armas nucleares ou tropas terrestres.
A declaração de Trump de 8 de outubro estabelecia que não ordenaria novos ataques antes das eleições intercalares. Não excluía uma decisão posterior, pelo que esse compromisso não deve ser confundido com o abandono da opção militar.

