Coca-Cola sobe previsão de resultados apesar da procura fraca na América do Norte
A empresa melhorou as perspetivas anuais pelo terceiro trimestre consecutivo. As vendas cresceram 7%, mas o volume vendido na América do Norte estagnou.
O que se passou
A Coca-Cola elevou a 27 de outubro a previsão de crescimento do resultado comparável por ação para pelo menos 11% no conjunto do ano. A estimativa anterior apontava para uma subida entre 9% e 10%. Foi a terceira revisão em alta consecutiva deste indicador.
No terceiro trimestre, o lucro líquido atribuível aos acionistas subiu para 4,01 mil milhões de dólares, ou 93 cêntimos por ação. Um ano antes, tinha sido de 3,7 mil milhões de dólares, ou 86 cêntimos por ação.
As vendas líquidas aumentaram 7%, para 13,4 mil milhões de dólares. A receita orgânica, que exclui aquisições, alienações e efeitos cambiais, também cresceu 7%. Para o ano, a empresa passou a prever um avanço orgânico de pelo menos 5%, face à estimativa anterior de aproximadamente 5%.
O volume vendido cresceu 5% pelo segundo trimestre consecutivo, apoiado pela procura fora da América do Norte. Neste mercado, ficou estável. As ações recuavam menos de 1% durante a manhã, apesar de acumularem uma valorização de cerca de 32% desde o início do ano.
O que isto significa
A melhoria da previsão anual mostra que a Coca-Cola continua a conseguir aumentar os resultados mesmo sem crescimento do volume no seu mercado doméstico. A expansão internacional está a compensar a menor dinâmica na América do Norte.
A estagnação nesse mercado não resulta apenas da pressão sobre os consumidores. O diretor financeiro, John Murphy, afirmou que o calendário do feriado de 4 de julho e a escassez prolongada da água com gás Topo Chico impediram um crescimento do volume. Esta explicação distingue dificuldades de abastecimento e calendário de uma quebra generalizada da procura.
Ainda assim, a empresa não antecipa uma melhoria do comportamento dos consumidores em 2027. Os responsáveis têm descrito compradores norte-americanos pressionados pela inflação e pela incerteza económica, mais atentos ao preço e ao valor que recebem.
Se acompanhas a ação, a revisão das previsões deve ser lida a par dessa cautela. A Coca-Cola elevou a expectativa de resultados, mas não apresentou uma perspetiva mais favorável para o consumo. A diferença entre estes dois sinais ajuda a perceber por que razão resultados mais fortes não equivalem a uma recuperação da procura.
Porque deves querer saber
A procura internacional sustenta o crescimento
O aumento de 5% no volume global dá suporte ao crescimento das vendas para além dos efeitos dos preços e do câmbio. Nos refrigerantes com gás, o volume também avançou 5%, com contributos da Coca-Cola, Coca-Cola Zero Sugar e Diet Coke.
O desempenho não foi uniforme em todas as bebidas. A divisão de água, bebidas desportivas, café e chá cresceu 5% em volume, impulsionada pela água. Já o negócio de sumos, bebidas lácteas de valor acrescentado e bebidas vegetais ficou estável. Para avaliares a continuidade do crescimento, interessa acompanhar quais destas categorias conseguem manter a procura.
O consumo em casa resiste melhor do que nos restaurantes
Na América do Norte, o negócio de bebidas consumidas em casa está a ter um desempenho melhor do que o consumo fora de casa, que inclui restaurantes, cinemas e parques de diversões. A Coca-Cola espera que a pressão sobre a restauração continue durante o resto do ano.
Esta diferença mostra que a estabilidade do volume total pode esconder mudanças nos hábitos de consumo. Os clientes continuam a comprar bebidas da empresa, incluindo marcas premium como a Fairlife, mas a fraqueza dos restaurantes limita uma das vias de venda. É um sinal relevante para acompanhares empresas dependentes das despesas dos consumidores fora de casa.


