Zelensky alerta para riscos do plano de Trump para a segurança europeia
O Presidente ucraniano considera perigoso negociar com Moscovo uma nova arquitetura de segurança enquanto a Rússia não mostrar vontade de terminar a guerra. Washington afirma que pretende preservar a soberania de cada país e o papel da NATO.
O que se passou
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, alertou, numa entrevista à CNN divulgada a 7 de novembro, para os riscos da proposta norte-americana de discutir com a Rússia um novo quadro de segurança para a Europa. Na sua avaliação, Moscovo não demonstra vontade de encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia.
Zelensky afirmou que esta abordagem pode representar um perigo ainda maior para a União Europeia, à qual a Ucrânia não pertence, tal como não integra a NATO. Rejeitou uma nova divisão da Europa entre potências e invocou a Conferência de Yalta, de 1945, para explicar esse receio.
Donald Trump tinha anunciado a possibilidade de um acordo sobre a Ucrânia que poderia abranger toda a Europa. O seu genro e enviado para as negociações entre Kiev e Moscovo, Jared Kushner, explicou na rede social X que estão em curso conversações com vários líderes europeus sobre um quadro de segurança mais amplo.
Segundo Kushner, Washington está a estudar cinco objetivos para um eventual pacto entre a Europa e a Rússia. Estes incluem consultas permanentes de segurança e canais de comunicação em situações de crise, maior transparência militar, medidas recíprocas para reduzir o risco de escalada e um quadro duradouro de estabilidade.
O enviado norte-americano afirmou ainda que qualquer acordo deverá respeitar a soberania e a liberdade de cada país para escolher as suas alianças, sem direito de veto de outros Estados. Acrescentou que a NATO continuará a ser um pilar central da defesa coletiva europeia.
O que isto significa
A proposta norte-americana alarga a discussão para além do fim da guerra na Ucrânia. Ao incluir a relação de segurança entre a Europa e a Rússia, coloca em negociação regras que podem afetar as escolhas de defesa dos países europeus.
As declarações de Zelensky e de Kushner revelam uma divergência sobre as condições para avançar. Washington apresenta o diálogo como uma forma de construir uma paz duradoura. O Presidente ucraniano considera perigoso fazê-lo sem sinais de que Moscovo pretende terminar a guerra.
Os princípios anunciados pelos Estados Unidos retomam compromissos já presentes em acordos anteriores, como a Ata Final de Helsínquia e a Carta de Paris para uma Nova Europa. A discussão não passa apenas por enunciar o respeito pela soberania, mas também pela confiança de que esse compromisso será cumprido.
Se investes em mercados europeus, estas declarações ajudam a distinguir uma iniciativa diplomática de um acordo concluído. Os objetivos anunciados ainda não equivalem a garantias de segurança aceites pelas partes, pelo que não permitem tratar o risco geopolítico como resolvido.
Porque deves querer saber
A negociação ainda não é um acordo de paz
O anúncio de objetivos para um pacto de segurança não significa que exista entendimento entre Washington, Kiev e Moscovo. A oposição expressa por Zelensky mostra que há divergências sobre o próprio formato das conversações.
Na avaliação dos teus investimentos, essa diferença importa. Uma proposta diplomática pode abrir espaço ao diálogo, mas não demonstra, por si só, uma redução efetiva dos riscos associados à guerra.
A segurança europeia vai além da Ucrânia
O eventual pacto discutido pelos Estados Unidos abrange a relação entre a Europa e a Rússia, e não apenas o território ucraniano. É essa dimensão que leva Zelensky a alertar também para os riscos para a União Europeia.
Kushner garante que a NATO manterá o seu papel e que nenhum Estado poderá vetar as alianças de outro. A compatibilidade entre essas garantias e os termos de um eventual acordo será central para perceber se a iniciativa preserva a autonomia dos países europeus.

