Microsoft prepara redução de fornecedores de infraestrutura de IA
A empresa quer concentrar-se em alguns parceiros e nos seus próprios data centers. A seleção ainda está em avaliação, numa altura de maior pressão financeira sobre os fornecedores especializados.
O que se passou
A Microsoft está a avaliar uma redução do número de fornecedores especializados de infraestrutura de inteligência artificial com que trabalha, segundo fontes ouvidas pela CNBC. A empresa pretende concentrar as relações num grupo mais restrito e dar prioridade aos seus próprios data centers, instalações que alojam os equipamentos de computação.
Estes fornecedores, conhecidos como neoclouds, disponibilizam capacidade de computação para IA. A Microsoft estabeleceu relações com empresas como CoreWeave, Nebius, IREN, Lambda e Nscale. As fontes dizem que ainda não foi decidido quais destes parceiros deixarão de ser utilizados. Duas fontes afirmaram também que a Microsoft optou por não renovar um acordo com a Oracle.
A Microsoft não confirmou os cortes específicos. Um porta-voz explicou que a empresa combina instalações próprias, espaços arrendados e parceiros externos, revendo regularmente os investimentos em função da procura dos clientes e da evolução dos projetos.
A revisão surge depois de atrasos na disponibilização de capacidade. A IREN revelou que uma atualização de equipamento de rede pedida pela Microsoft adiou a entrada em funcionamento de infraestrutura para janeiro ou fevereiro, em vez de acontecer ainda este ano. Em outubro, a diretora financeira da Microsoft, Amy Hood, tinha indicado que alguns contratos de cloud com processadores gráficos foram adiados para a primeira metade de 2027, afetando o crescimento do Azure.
O que isto significa
A redução de parceiros não equivale, por si só, a um corte no investimento da Microsoft em IA. No trimestre mais recente, a empresa registou 45,2 mil milhões de dólares em despesas de capital e locações financeiras. Disse também que as despesas de capital vão acelerar na segunda metade do exercício fiscal.
A mudança está na escolha de quem fornece essa capacidade. Ao privilegiar instalações próprias e um grupo mais pequeno de parceiros, a Microsoft pode deixar alguns fornecedores externos com menos negócio do que esperavam. A dimensão dos contratos deixa de bastar para avaliar as perspetivas dessas empresas. A capacidade de os executar torna-se igualmente relevante.
Os atrasos mostram como essa execução depende de condições concretas. No caso da IREN, foi necessário atualizar equipamento de rede. A Microsoft já tinha abandonado um projeto da Nscale em Inglaterra devido à capacidade do parceiro para obter acesso a eletricidade, segundo o responsável da Microsoft pelo Reino Unido e Irlanda, Darren Hardman.
Se acompanhas as ações deste setor, importa distinguir a procura por computação da capacidade de a transformar em receitas. Os contratos podem existir, mas os atrasos na entrega adiam a utilização da infraestrutura e podem afetar o crescimento dos clientes, como aconteceu com o Azure.
Porque deves querer saber
Menos parceiros não significa menos investimento
A Microsoft continua a aumentar o investimento em infraestrutura, mas está a rever a distribuição desse dinheiro entre instalações próprias e fornecedores externos. Para os parceiros, continuar na lista pode ser tão importante como a expansão global da procura por IA.
A empresa ainda não identificou quais as neoclouds que deixará de utilizar. Essa indefinição impede tratar a revisão como uma perda de contratos já confirmada para cada fornecedor.
A expansão da IA depende de entregar capacidade
O financiamento e o acesso a eletricidade estão a condicionar a construção de infraestrutura de IA. As ações da CoreWeave, Nebius e IREN perderam cerca de metade do valor no último mês, apesar da recuperação de sexta-feira, num período marcado por preocupações com juros mais altos e endividamento elevado.
O codiretor executivo da IREN, Daniel Roberts, afirmou que os mercados de capitais se tornaram mais seletivos. Segundo o responsável, as perguntas dos investidores passaram da dimensão dos contratos para a possibilidade de os entregar, financiar e operar com lucro. A revisão da Microsoft aumenta a importância dessa avaliação para os fornecedores.


