Stellantis consome 4 mil milhões de euros de caixa no terceiro trimestre
As receitas e o resultado operacional ajustado melhoraram, mas o fluxo de caixa industrial continua negativo. A fabricante mantém o objetivo de inverter essa situação em 2027.
O que se passou
A Stellantis anunciou a 28 de outubro um fluxo de caixa livre industrial negativo de 4 mil milhões de euros no terceiro trimestre. O indicador, que mede o dinheiro gerado pela atividade industrial depois do investimento, melhorou face ao valor negativo de 4,3 mil milhões registado um ano antes.
As receitas da fabricante que detém a Chrysler e a Jeep cresceram 1%, para 37,6 mil milhões de euros. O resultado operacional ajustado subiu 184%, de 90 milhões para 256 milhões de euros.
As ações avançavam 3,6% pouco depois da abertura dos mercados europeus. Ainda assim, acumulavam uma queda de 62% desde o início do ano.
A empresa confirmou que espera alcançar um fluxo de caixa livre industrial positivo em 2027. Está a executar um plano de recuperação de 60 mil milhões de euros, depois de vários anos de quebra das vendas, sobretudo na América do Norte.
O que isto significa
A melhoria do resultado operacional ainda não se traduziu em geração de caixa. Apesar de as receitas terem crescido e o resultado ajustado ter aumentado, a atividade industrial continuou a consumir dinheiro num período em que a Stellantis está a financiar a recuperação do negócio.
A redução da saída de caixa face ao ano anterior mostra progresso, mas mantém a atenção no objetivo de 2027. A confirmação dessa meta preserva o calendário que o presidente executivo, Antonio Filosa, apresentou em maio, sem antecipar o regresso a um fluxo positivo.
O plano prevê investir 36 mil milhões de euros no conjunto das marcas, com 60% desse montante destinado à América do Norte. A renovação dos modelos e o lançamento de veículos terão, por isso, de contribuir para recuperar vendas numa região que concentra grande parte do esforço financeiro.
A subida das ações na abertura contrasta com a perda acumulada no ano. Não elimina a necessidade de acompanhar se a recuperação dos resultados passa também a reduzir de forma sustentada o consumo de caixa.
Porque deves querer saber
A recuperação ainda consome caixa
O aumento do resultado operacional ajustado não significa que a Stellantis já consiga financiar o investimento com o dinheiro gerado pela atividade industrial. O fluxo negativo de 4 mil milhões de euros mantém essa diferença no centro da avaliação dos resultados.
Se acompanhas a empresa, a evolução do caixa permite perceber se a melhoria operacional está a aproximá-la da meta de 2027. Neste trimestre, houve uma redução do consumo face ao ano anterior, mas não uma inversão.
A concorrência chinesa pressiona as marcas europeias
A recuperação da Stellantis decorre enquanto fabricantes europeus enfrentam dificuldades na China, onde marcas como a BYD, a Geely e a Xiaomi ganham terreno. A Porsche anunciou que vai reduzir a exposição ao país e a Mercedes-Benz registou uma quebra das vendas trimestrais de automóveis nesse mercado.
Esta pressão ajuda-te a enquadrar o esforço de renovação dos produtos da Stellantis. A empresa procura recuperar vendas na América do Norte ao mesmo tempo que enfrenta concorrentes chineses mais fortes. Filosa defendeu este mês que a regulação europeia deve incentivar e proteger a produção automóvel na região.


