Portugal tem o nono salário médio mais baixo da UE
O salário médio anual para empregos a tempo inteiro chegou aos 26.202 euros em 2025. Subiu 4,9%, acima do ritmo europeu, mas continuou longe dos 41.500 euros da média comunitária.
O que se passou
Portugal registou o nono salário médio anual mais baixo da União Europeia para empregos a tempo inteiro em 2025. O valor foi de 26.202 euros, segundo os dados divulgados pelo Eurostat a 6 de novembro.
O salário médio português aumentou 4,9% face a 2024. Na UE, a subida foi de 4,3%, com a média anual a passar de 39.800 euros para 41.500 euros.
O Luxemburgo apresentou o valor mais elevado, com 85.600 euros anuais. Seguiram-se a Dinamarca, com 73.500 euros, e a Irlanda, com 64.400 euros.
Na parte inferior da tabela ficaram a Bulgária, com 16.200 euros, a Grécia, com 18.800 euros, e a Hungria, com 20.100 euros. Portugal manteve-se entre os dez países com salários médios mais baixos para trabalho a tempo inteiro.
O que isto significa
O crescimento salarial português superou o da média comunitária, mas não retirou Portugal do grupo de países com remunerações mais baixas. A evolução anual e o nível dos salários contam histórias diferentes. O ritmo melhorou, enquanto a distância face à média europeia continuou elevada.
Se investes em empresas dependentes do consumo em Portugal, os salários ajudam-te a avaliar a evolução dos rendimentos dos clientes. Ainda assim, estes dados, por si só, não mostram uma melhoria do poder de compra, porque não incluem uma comparação com a inflação.
Para as empresas que empregam em Portugal, a subida salarial também é relevante para acompanhar os custos com pessoal. O efeito nos resultados depende da capacidade de aumentar receitas e produtividade, algo que este indicador não permite avaliar.
A comparação refere-se ao salário médio anual de empregos a tempo inteiro. Não deve ser confundida com o rendimento de todos os trabalhadores nem permite concluir quanto recebe o trabalhador mais representativo de cada país.
Porque deves querer saber
Salários mais altos contam para o consumo
A subida de 4,9% do salário médio português é relevante para as empresas que vendem às famílias. A evolução das remunerações ajuda a enquadrar a capacidade de despesa dos seus clientes, embora não permita antecipar quanto desse rendimento será consumido.
Se acompanhas estas empresas, deves distinguir aumento salarial de aumento do poder de compra. Sem comparar os salários com os preços, não é possível concluir que os trabalhadores conseguem comprar mais.
🇪🇺 Portugal cresce mais, mas continua abaixo
Portugal registou um aumento salarial superior ao da UE, mas permaneceu no nono lugar a contar do fundo da tabela. Crescer mais depressa num ano não elimina uma diferença acumulada nos níveis de remuneração.
A comparação europeia ajuda-te a enquadrar o mercado português, tanto pela dimensão dos rendimentos dos consumidores como pelos custos de contratação. Não basta, porém, para comparar a competitividade das empresas, que também depende da produtividade.

