Moderna sobe previsão de crescimento das receitas para 15% a 25% em 2026
A biotecnológica regressou aos lucros no terceiro trimestre e superou as expectativas dos analistas. As ações subiam cerca de 5% antes da abertura do mercado.
O que se passou
A Moderna anunciou a 6 de novembro uma revisão em alta das perspetivas para 2026. A empresa espera agora um crescimento das receitas entre 15% e 25%, quando antes apontava para uma subida de até 10%.
No terceiro trimestre, as receitas aumentaram 29%, para 1,31 mil milhões de dólares. O avanço foi sustentado pelo aumento das vendas internacionais de vacinas contra a covid-19 e por entregas ao abrigo de parcerias de longo prazo com governos.
O lucro líquido atingiu 162 milhões de dólares, ou 38 cêntimos por ação. No período homólogo, a Moderna tinha registado um prejuízo de 200 milhões de dólares, equivalente a 51 cêntimos por ação. As receitas e os resultados superaram as estimativas dos analistas compiladas pela LSEG.
O presidente executivo, Stéphane Bancel, atribuiu o desempenho aos novos produtos e à diversificação geográfica. Destacou o contributo de um ano completo da nova geração da vacina contra a covid-19, aprovada nos Estados Unidos em maio de 2025.
As ações subiam cerca de 5% nas negociações anteriores à abertura do mercado. Acumulavam uma valorização superior a 700% no ano, associada sobretudo ao otimismo em torno da vacina personalizada contra o cancro que a Moderna desenvolve com a Merck.
O que isto significa
A revisão das previsões dá maior suporte comercial à recuperação da Moderna. A melhoria não ficou apenas nas receitas. A empresa passou de prejuízo a lucro no trimestre, ao mesmo tempo que aumentou a estimativa de crescimento para o conjunto do ano.
O calendário das aprovações ajuda a perceber a diferença entre lançar uma vacina e obter o seu contributo nas vendas. Segundo Bancel, os contratos para vacinas contra a covid-19 são habitualmente fechados no primeiro trimestre. A aprovação da nova versão em maio de 2025 limitou o lançamento inicial, enquanto 2026 já beneficia de um ano completo.
A vacina autónoma contra a gripe, aprovada nos Estados Unidos em agosto, deverá ter um lançamento limitado no país em 2026, explicou o responsável. Isso significa que a aprovação regulatória não se traduz de imediato num contributo comercial pleno.
Se acompanhas as ações, importa distinguir os resultados das vacinas já comercializadas das expectativas sobre a vacina experimental contra o cancro. A forte valorização anual tem sido alimentada sobretudo por este segundo projeto, enquanto a revisão das receitas resulta do desempenho dos produtos já no mercado.
Porque deves querer saber
As novas vacinas começam a pesar nas vendas
A nova geração da vacina contra a covid-19 já está a contribuir durante um ano completo, ao contrário do que aconteceu no lançamento em 2025. Esse efeito, juntamente com as vendas internacionais, ajuda a explicar a subida das receitas e a revisão das previsões.
O lançamento limitado da vacina contra a gripe mostra que nem todos os produtos aprovados chegam ao mesmo tempo às contas. Ao avaliares os próximos resultados, o calendário de contratação será relevante para perceber quando cada aprovação começa a gerar vendas.
O cancro continua a concentrar expectativas
A Moderna e a Merck divulgaram recentemente dados promissores de um ensaio em fase avançada da vacina personalizada contra o cancro, combinada com a imunoterapia Keytruda, em determinados doentes com melanoma. Ainda assim, as ações caíram após a divulgação antecipada de parte dos dados nas redes sociais, antes da apresentação prevista num congresso médico europeu.
O episódio mostra que resultados comerciais e dados clínicos podem provocar avaliações diferentes da mesma empresa. O regresso aos lucros melhora as contas atuais, mas não resolve as dúvidas que os investidores procuram esclarecer sobre um tratamento ainda experimental.

