Qatar tenta reabrir negociações diretas entre os EUA e o Irão
Os contactos em Teerão procuram evitar novos ataques norte-americanos, segundo uma fonte ouvida pela CNBC. O Brent subiu 2,4% na sexta-feira, perante o receio de uma escalada militar.
O que se passou
Mediadores do Qatar reuniram-se com responsáveis iranianos em Teerão na sexta-feira, durante mais de 12 horas, para tentar retomar negociações diretas entre Washington e Teerão. Uma fonte oficial conhecedora das conversações confirmou os contactos à CNBC no sábado, 31 de outubro.
O objetivo é evitar uma eventual retoma dos ataques liderados pelos Estados Unidos depois das eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro. O Axios, que avançou primeiro a informação, indicou que as conversações deveriam prosseguir no sábado em Doha, capital do Qatar.
O acordo preliminar assinado pelos EUA e pelo Irão em 17 de junho para suspender os combates desfez-se semanas depois. Os últimos ataques norte-americanos confirmados ocorreram em 1 de setembro. Donald Trump deixou anteriormente em aberto a possibilidade de novas operações após as eleições.
No sábado, uma declaração publicada na conta de Telegram do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ameaçou responder a novas ameaças de forma imediata e sem limites geográficos. Na sexta-feira, o contrato de dezembro do Brent terminou a sessão a subir 2,4%, para 117,64 dólares por barril, no nível mais elevado desde o final de abril.
O que isto significa
A mediação abre uma possibilidade de diálogo, mas ainda não representa um acordo para travar os combates. A rutura do entendimento de junho mostra que uma suspensão anunciada pode não se traduzir numa redução duradoura do risco militar.
O petróleo continua exposto à possibilidade de novos ataques e aos incidentes no estreito de Ormuz, uma passagem marítima economicamente crucial. Na sexta-feira, o centro britânico de acompanhamento do comércio marítimo comunicou que um petroleiro tinha sido atingido por um projétil não identificado quando saía do estreito.
O Irão também afirmou que quatro petroleiros tinham atingido minas. Estas declarações devem ser distinguidas do incidente comunicado pelo organismo britânico. O alegado ataque norte-americano a barcos de pesca divulgado no sábado por uma agência iraniana não tinha confirmação independente.
Se acompanhas o setor energético, o avanço das negociações e a segurança da navegação são os desenvolvimentos a observar. A subida do Brent mostra que o receio de escalada já se refletiu nos preços, mas não permite concluir como o mercado reagirá aos próximos contactos diplomáticos.
Porque deves querer saber
O petróleo sobe enquanto a diplomacia tenta avançar
O contrato de dezembro do Brent, que expirou na sexta-feira, chegou aos 118 dólares por barril antes de fechar nos 117,64 dólares. O contrato de janeiro, então mais negociado, subiu 2,63 dólares, para 113,43 dólares.
A distinção entre contratos importa quando comparas cotações. O valor de fecho do contrato que expirou não era o mesmo daquele que concentrava mais negociação, embora ambos tenham registado subidas na sessão.
Os incidentes em Ormuz mantêm o risco económico
Os contactos diplomáticos decorrem ao mesmo tempo que surgem novos relatos de ataques à navegação. Mesmo que Washington e Teerão retomem o diálogo, a segurança dos petroleiros continua a ser uma questão separada que os investidores precisam de acompanhar.
A ameaça iraniana de uma resposta sem limites geográficos acrescenta incerteza à extensão de um eventual confronto. Para avaliares esse risco, importa separar os incidentes comunicados por organismos de acompanhamento marítimo das alegações das partes envolvidas.

