Portugal leva cerca de 30 empresas à Venezuela com foco na energia e infraestruturas
O Governo quer aproximar empresas portuguesas dos projetos de recuperação venezuelanos. O ministro da Economia reconhece obstáculos nas operações bancárias internacionais, nas alfândegas e nos procedimentos administrativos.
O que se passou
O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, apontou este domingo, em Caracas, a recuperação do setor energético e a reconstrução de infraestruturas como prioridades para a participação de empresas portuguesas na Venezuela.
O governante falava na receção a uma delegação de cerca de 30 empresas portuguesas. A missão participa no Fórum Empresarial Portugal-Venezuela, marcado para 3 de novembro e organizado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).
Segundo o ministro, a recuperação dos hidrocarbonetos cria necessidades de equipamentos, tecnologia e serviços especializados. A modernização do país poderá também abrir oportunidades na construção, na metalomecânica, na indústria agroalimentar, na saúde e nos transportes.
Castro Almeida destacou ainda a reabertura da delegação da AICEP em Caracas como um instrumento para acompanhar as empresas e ajudar a concretizar projetos. Reconheceu, porém, que continuam a existir entraves ao comércio e ao investimento, incluindo dificuldades bancárias, aduaneiras e administrativas.
O que isto significa
A missão procura transformar necessidades identificadas pelo Governo português em projetos para as empresas nacionais. A energia pode gerar procura não apenas para fornecedores do setor, mas também para empresas que fornecem equipamentos e executam obras de infraestruturas.
As oportunidades apresentadas pelo ministro não equivalem a contratos adjudicados. O objetivo anunciado é identificar projetos viáveis e criar relações empresariais duradouras, pelo que o efeito nas receitas das empresas dependerá dos negócios que vierem a ser concretizados.
Os obstáculos reconhecidos pelo Governo são relevantes para avaliar esses projetos. As operações bancárias internacionais e os procedimentos aduaneiros afetam a capacidade de realizar pagamentos e fazer chegar equipamentos ao mercado venezuelano.
A reabertura da AICEP em Caracas oferece às empresas acompanhamento mais próximo. Esse apoio não elimina a necessidade de segurança jurídica e previsibilidade que o próprio ministro colocou no centro do diálogo com as autoridades venezuelanas.
Porque deves querer saber
A missão procura transformar contactos em projetos
As cerca de 30 empresas portuguesas chegam ao fórum com áreas de procura identificadas pelo Governo. A recuperação energética pode envolver fornecimento de equipamento e serviços especializados, enquanto a reconstrução abre espaço à construção e à metalomecânica.
Se acompanhas empresas destes setores, a distinção relevante é entre a participação numa missão e a obtenção de contratos. O encontro procura criar parcerias, mas o seu impacto comercial dependerá dos projetos que avançarem.
Os entraves bancários pesam no investimento
As necessidades de reconstrução não bastam para tornar um projeto executável. O ministro reconheceu dificuldades nas operações bancárias internacionais, nas condições aduaneiras e nos procedimentos administrativos, matérias que quer discutir com as autoridades venezuelanas.
A presença local da AICEP pode ajudar as empresas a acompanhar esses processos. A segurança jurídica e a previsibilidade continuam, porém, a ser condições necessárias para converter o interesse empresarial em investimento.

