Micron e SK Hynix caem com avanço chinês em chips de memória
A chinesa CXMT anunciou progressos numa arquitetura de memória que permite guardar mais dados em menos área. A pressão atingiu também outras ações de tecnologia e de armazenamento.
O que se passou
As ações da Micron Technology caíram quase 5% na segunda-feira, enquanto a SK Hynix recuou 4%. A SanDisk também perdeu 7%, num dia negativo para empresas ligadas a memória e armazenamento.
A queda aconteceu depois de a chinesa ChangXin Memory Technologies, conhecida como CXMT, anunciar progressos numa nova arquitetura de células de memória chamada 4F square. A empresa afirma que esta abordagem pode aumentar a densidade de armazenamento, ao permitir colocar mais células no mesmo chip.
Cao Kanyu, presidente da CXMT, disse num evento industrial em Xangai que a empresa planeia lançar um novo produto de memória para servidores baseado nesta tecnologia até ao fim de 2026. A empresa também espera apresentar até ao fim do ano uma nova geração de módulos DDR5 RDIMM, usados em servidores empresariais.
A tecnologia 4F square reduz a área ocupada por cada célula de memória face à estrutura 6F square usada atualmente em DRAM comercial. A DRAM é a memória temporária que alimenta computadores, servidores e sistemas de data center.
A pressão sobre o setor tecnológico foi agravada pela subida do petróleo. Os futuros do Brent negociaram acima de 106 dólares por barril, o nível mais alto em cerca de duas semanas, depois de ataques mortais ao aeroporto internacional de Riade durante o fim de semana.
O que isto significa
A reação das ações mostra que os investidores estão a reavaliar a vantagem competitiva dos fabricantes de memória estabelecidos. Micron e SK Hynix dependem de ciclos de procura e preço em DRAM, e qualquer sinal de nova concorrência com tecnologia mais densa pode mexer nas expectativas de margens futuras.
A ameaça ainda não é imediata. A própria leitura do mercado depende de três fatores que continuam em aberto, capacidade de produção, desempenho do produto e aceitação por clientes de servidores. Desenvolver a arquitetura é diferente de fabricar em escala e qualificar junto de grandes compradores.
A CXMT entra, porém, numa área sensível. A procura por memória para servidores e sistemas ligados à inteligência artificial aumentou a atenção ao setor. Se uma fabricante chinesa conseguir aproximar-se tecnologicamente, a pressão sobre preços e quota de mercado pode crescer.
A notícia também reforça o peso da geopolítica nos semicondutores. A China tem procurado reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, e cada avanço doméstico em chips de memória é lido pelos investidores como mais uma tentativa de disputar uma cadeia de valor dominada por empresas dos EUA, da Coreia do Sul e de outros mercados asiáticos.
Porque deves querer saber
A memória volta a mexer com as ações
Micron e SK Hynix foram penalizadas porque a DRAM é central para as duas empresas. Uma tecnologia que promete guardar mais dados na mesma área pode, no limite, alterar custos de produção e preços no mercado.
Ainda há distância entre anúncio tecnológico e impacto comercial. A CXMT terá de provar que consegue produzir em volume, cumprir requisitos de desempenho e convencer clientes de servidores. Até lá, a reação das ações reflete mais a revisão do risco competitivo do que uma perda já confirmada de negócio.
A China pressiona a cadeia dos semicondutores
O avanço da CXMT encaixa na tentativa chinesa de construir uma indústria doméstica de semicondutores mais competitiva. A memória é uma área crítica porque entra em servidores, computadores e data centers, todos ligados ao crescimento da computação e da inteligência artificial.
Samsung e SK Hynix também trabalham em arquiteturas 4F square, e a Samsung planeia iniciar produção em massa de DRAM sub-10 nanómetros baseada neste desenho em 2028, de acordo com a The Elec. A disputa deixa de ser apenas sobre procura de chips. Passa também por quem consegue industrializar novas estruturas primeiro.



