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Macroeconomia

Juros da dívida dos EUA sobem após emprego superar previsões

A economia norte-americana criou 165 mil empregos em outubro, muito acima dos 59 mil esperados. O mercado passou a atribuir maior probabilidade a uma nova subida de juros da Fed em dezembro.

Redação Clareza
06 de novembro de 2026, 14:033 min de leitura
Juros da dívida dos EUA sobem após emprego superar previsões

O que se passou

As taxas de rendibilidade da dívida pública norte-americana subiram na sexta-feira, após a divulgação dos dados do emprego de outubro. A taxa das obrigações a 10 anos avançou mais de 3 pontos base, para 4,868%.

Nas obrigações a 30 anos, a taxa subiu mais de 2 pontos base, para 5,275%. No prazo de dois anos, o aumento foi de quase 5 pontos base, para 4,524%. Cada ponto base corresponde a uma centésima de ponto percentual.

A economia dos EUA criou 165 mil empregos fora do setor agrícola em outubro, de acordo com o Bureau of Labor Statistics, o organismo responsável pelas estatísticas laborais. O consenso de economistas consultados pela Dow Jones apontava para 59 mil. Em setembro, tinham sido criados 29 mil empregos.

A taxa de desemprego desceu para 4,1%, quando os economistas esperavam que se mantivesse em 4,2%. Após os dados, os futuros sobre a taxa da Fed, o banco central dos EUA, atribuíam uma probabilidade superior a 76% a uma subida de um quarto de ponto percentual na reunião de 9 de dezembro, segundo a ferramenta FedWatch da CME. Na véspera, essa probabilidade superava 66%.

O que isto significa

O emprego mais forte reforçou a expectativa de que a Fed volte a subir os juros. A criação de postos de trabalho superou o previsto e acelerou face a setembro, enquanto o desemprego ficou abaixo das estimativas.

A taxa diretora encontra-se no intervalo entre 3,75% e 4,00%, depois de uma subida de um quarto de ponto percentual em setembro. Os preços dos futuros passaram a refletir uma maior probabilidade de novo aumento em dezembro, mas não uma decisão já tomada pelo banco central.

Se tens obrigações norte-americanas em carteira, a subida das taxas de rendibilidade corresponde a uma descida dos preços desses títulos. Para novas aplicações, as taxas mais elevadas alteram a remuneração disponível, embora o resultado dependa do prazo e do preço de compra.

O avanço foi mais acentuado no prazo de dois anos do que nos prazos de 10 e 30 anos. Esse movimento mostra que a revisão das expectativas para a próxima decisão da Fed também se fez sentir na dívida de prazo mais curto.

Porque deves querer saber

Taxas mais altas pressionam as obrigações

A reação atravessou os três prazos da dívida norte-americana referidos, com a taxa a 10 anos a chegar a 4,868%. A subida das taxas de rendibilidade significa uma desvalorização dos títulos já emitidos.

Se investes através de um fundo de obrigações, essa alteração pode refletir-se no valor da tua posição. A taxa anunciada pelo mercado não deve, por isso, ser confundida com o retorno garantido de uma aplicação.

Emprego forte dá mais margem à Fed

A criação de 165 mil empregos e a descida do desemprego mostram um mercado de trabalho mais forte do que os economistas antecipavam. Estes dados reforçaram o argumento a favor de uma nova subida de juros.

A probabilidade implícita nos futuros passou de mais de 66% para mais de 76% entre a véspera e a divulgação. A próxima decisão continua nas mãos da Fed, mas o mercado passou a preparar-se com maior convicção para outro aumento em dezembro.

Fontes

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