China reforça controlo de minas no estrangeiro
As aquisições atingiram 8,8 mil milhões de dólares nos primeiros três trimestres de 2026. Pequim está a centralizar os investimentos para garantir recursos que escasseiam no país.
O que se passou
A China está a mobilizar empresas ligadas ao Estado para aumentar as participações em minas no estrangeiro. O objetivo é assegurar o acesso a metais necessários à produção de veículos elétricos, semicondutores e motores de avião.
As aquisições chinesas de recursos minerais no exterior somaram 8,8 mil milhões de dólares nos primeiros três trimestres de 2026, segundo o Rhodium Group. O montante já supera os totais anuais registados desde, pelo menos, 2018.
Em abril, foi criado um organismo dedicado a acompanhar os investimentos internacionais das empresas controladas pelo Estado central. Em julho, surgiu um veículo de investimento mineiro para coordenar operações e apoiar as empresas no cumprimento de regras e na avaliação de riscos.
Esta expansão junta-se ao domínio chinês na transformação dos minerais. Segundo a Agência Internacional de Energia, a China é responsável por cerca de 92% da produção mundial de terras raras refinadas.
O que isto significa
O controlo de uma mina assegura acesso ao recurso, mas não substitui a capacidade de o transformar em material utilizável pela indústria. A China procura reforçar a primeira etapa da cadeia sem perder a vantagem que já tem na refinação.
As compras têm incidido sobretudo em minerais que o país não possui em quantidade suficiente, explica Armand Meyer, analista sénior do Rhodium Group. O lítio, o níquel e o cobalto ganharam destaque durante a expansão dos veículos elétricos, enquanto o ouro tem atraído investimento nos últimos anos.
Se investes em empresas mineiras ou em fabricantes que dependem destes materiais, esta concentração torna o acesso ao abastecimento uma variável relevante. Os analistas ouvidos pela CNBC consideram que uma maior presença chinesa nas minas pode dar a Pequim mais influência sobre quem recebe os minerais.
A expansão enfrenta, porém, exigências dos países produtores. Vários governos estão a limitar as exportações de minério não transformado e a exigir processamento local, o que pode obrigar os investidores estrangeiros a financiar mais do que a extração.
Porque deves querer saber
O Estado passa a coordenar mais compras de minas
A centralização pode reduzir a concorrência entre empresas chinesas pelas mesmas oportunidades. Dan Wang, diretora para a China da Eurasia, considera que o modelo permite investimentos maiores e mais alinhados, dando às empresas maior capacidade de competir com rivais ocidentais e novos interessados, como a Arábia Saudita e a Índia.
Essa coordenação também pode tornar as decisões mais demoradas. Wang alerta que processos de análise e aprovação mais longos podem aumentar os riscos de corrupção e reduzir o retorno dos investimentos, uma distinção importante quando avalias o crescimento das empresas envolvidas.
Os países produtores querem refinar os seus minerais
Os governos de países ricos em recursos querem reter uma parte maior da atividade industrial. Ao exigirem refinação local, procuram deixar de ser apenas fornecedores de matéria-prima para unidades de processamento no estrangeiro.
A disputa não depende apenas de descobrir novas jazidas. Os Estados Unidos dispõem de terras raras em abundância, mas dependem da China para as refinar. Para as indústrias que utilizam estes materiais, diversificar a extração não resolve, por si só, a concentração do processamento.

