Chevron e Exxon superam previsões com subida dos lucros da refinação
Os lucros da Chevron quase triplicaram e os da Exxon duplicaram no terceiro trimestre. As refinarias norte-americanas aumentaram a produção para responder às falhas de oferta provocadas por ataques na Rússia e no Médio Oriente.
O que se passou
A Chevron e a Exxon Mobil apresentaram, a 30 de outubro, resultados do terceiro trimestre acima das expectativas dos analistas. O encarecimento do diesel favoreceu a refinação nos Estados Unidos, onde as duas petrolíferas operaram perto do limite da capacidade.
O lucro líquido da Chevron subiu de 3,5 mil milhões para 9,9 mil milhões de dólares. Excluindo efeitos pontuais, o resultado por ação atingiu 5,28 dólares, acima dos 4,89 dólares esperados pelos analistas consultados pela LSEG.
A Exxon registou um lucro de 15,4 mil milhões de dólares, contra 7,5 mil milhões no mesmo período de 2025. O resultado ajustado por ação foi de 4,23 dólares, também acima das previsões. Antes da abertura do mercado, as ações da Chevron subiam cerca de 2% e as da Exxon aproximadamente 1,5%.
As refinarias norte-americanas da Chevron processaram um volume recorde de pouco mais de um milhão de barris por dia, com uma utilização de 98% da capacidade. Na Exxon, as refinarias da costa do Golfo operaram a 100% e alcançaram a segunda maior produção de diesel de sempre nessas instalações.
O que isto significa
A refinação, que transforma petróleo em combustíveis, foi uma fonte decisiva de crescimento dos resultados. Na Chevron, o lucro desta divisão passou de 1,1 mil milhões para 4,9 mil milhões de dólares, uma subida superior a 300%.
O aumento dos preços do diesel está ligado a falhas de oferta após ataques da Ucrânia e do Irão a refinarias na Rússia e no Médio Oriente. As instalações norte-americanas aumentaram a produção para preencher essa lacuna, beneficiando dos preços mais elevados dos combustíveis.
Os resultados da Chevron mostram também que lucros maiores não exigiram uma subida da extração. O lucro da produção de petróleo e gás cresceu cerca de 70%, para 5,7 mil milhões de dólares, apesar de o volume produzido ter recuado de cerca de quatro milhões para 3,9 milhões de barris por dia.
Se acompanhas estas ações, a utilização das refinarias ajuda-te a distinguir o crescimento já alcançado da capacidade disponível para produzir mais. Com as instalações perto do limite, há menos margem para repetir o aumento de volumes sem capacidade adicional. A evolução dos preços dos combustíveis ganha, por isso, peso na avaliação dos próximos resultados.
Porque deves querer saber
Refinarias quase no limite sustentam os resultados
A Chevron conseguiu aumentar em mais de 10% os rendimentos de diesel e combustível para aviação nas suas refinarias norte-americanas. Esse desempenho acompanhou a forte subida do lucro da refinação e ajudou a superar as expectativas para o resultado por ação.
A utilização de 98% da capacidade na Chevron e de 100% nas instalações da Exxon na costa do Golfo mostra quanto estas empresas já estão a produzir. Para avaliares a continuidade deste crescimento, importa acompanhar os preços dos combustíveis e a capacidade de manter as instalações a funcionar a estes níveis.
Falhas de oferta redistribuem os ganhos no petróleo
Os ataques a refinarias na Rússia e no Médio Oriente reduziram a oferta disponível e levaram os produtores norte-americanos a aumentar a produção. O benefício para a refinação nos Estados Unidos mostra como uma perturbação regional pode alterar os resultados de empresas noutros mercados.
A mesma instabilidade também atingiu a atividade de extração da Chevron. A produção internacional caiu, em parte devido ao conflito no Médio Oriente, enquanto a produção nos Estados Unidos ficou praticamente estável. A exposição geográfica e o peso da refinação ajudam-te, assim, a perceber por que motivo o conflito não tem o mesmo efeito em todas as operações de uma petrolífera.


