CEO da Chevron critica possível travão dos EUA às exportações de diesel
Mike Wirth disse que uma proibição de exportações retiraria oferta ao mercado global e poderia aumentar a vulnerabilidade energética. O aviso surge depois de o G7 aceitar libertar reservas de emergência de diesel e crude.
O que se passou
O CEO da Chevron, Mike Wirth, criticou a possibilidade de os Estados Unidos avançarem com uma proibição das exportações de diesel. Em entrevista à CNBC, afirmou que esse tipo de medida pode retirar oferta ao mercado global e agravar a situação de abastecimento.
Wirth disse que os Estados Unidos têm sido um fornecedor fiável para outros países em períodos de tensão. Na sua visão, uma restrição às exportações poderia levantar dúvidas entre aliados e parceiros sobre a disponibilidade de abastecimento norte-americano em momentos difíceis.
As declarações surgem depois de o G7 ter acordado libertar diesel e crude das reservas de emergência. O aumento das exportações de crude do Médio Oriente e essa libertação de stocks ajudaram a aliviar receios de escassez, mas o mercado continua pressionado pelos ataques entre a Arábia Saudita e forças Houthi apoiadas pelo Irão.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irão perturbou fortemente a navegação no Estreito de Ormuz, uma passagem por onde circulam normalmente cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo. Donald Trump arrefeceu a hipótese de autorizar uma proibição das exportações de diesel e assinou uma ordem executiva para permitir temporariamente um uso mais amplo de diesel tingido de vermelho por camionistas e agricultores.
Esse diesel, normalmente usado em equipamentos agrícolas, máquinas de construção e outros veículos fora de estrada, está isento do imposto de 24,4 cêntimos por galão aplicado ao diesel rodoviário. A ordem também adia impostos associados ao combustível até ao final deste ano.
O que isto significa
A Chevron está a enquadrar a discussão sobre diesel como um problema de oferta global, não apenas de preços domésticos nos Estados Unidos. Se o maior produtor mundial de petróleo e combustíveis refinados limitar exportações, o efeito pode ser sentido fora do mercado norte-americano, sobretudo quando os inventários já foram usados para amortecer choques.
Mike Wirth descreveu a posição dos inventários antes do inverno como muito séria. Disse que o ano começou com stocks comerciais elevados, reservas estratégicas altas e volumes significativos de petróleo em trânsito, incluindo barris sujeitos a sanções dos Estados Unidos ou da União Europeia. Esses amortecedores foram sendo consumidos com a descida dos inventários comerciais, a libertação de reservas estratégicas e a entrega de barris antes bloqueados.
A margem de segurança do sistema está menor para investidores em energia. Isso torna refinarias, produtores integrados e empresas com exposição a combustíveis mais sensíveis a novas interrupções logísticas ou geopolíticas.
A Chevron também apontou para a Venezuela como parte de uma resposta de prazo mais longo. A empresa pretende mais do que duplicar a produção no país nos próximos cinco anos, através de um investimento de 7 mil milhões de dólares, passando de cerca de 280 mil barris por dia atualmente para 600 mil barris por dia em 2031. Wirth avisou, contudo, que esse aumento demora tempo e não resolve pressões imediatas.
Porque deves querer saber
O risco imediato está no diesel disponível
Uma proibição de exportações poderia alterar os fluxos de diesel num mercado já apertado. A Chevron argumenta que manter o combustível dentro dos Estados Unidos não cria nova oferta e pode reduzir a disponibilidade para países que dependem das compras externas.
A discussão interessa aos investidores porque mexe diretamente com margens de refinação, logística e abastecimento. Quando os inventários estão mais baixos, qualquer mudança regulatória pode ter impacto maior na forma como o combustível chega aos clientes.
A energia volta a depender dos amortecedores estratégicos
O G7 recorreu a reservas de emergência para aliviar receios de escassez. Esse passo mostra que governos continuam a usar stocks estratégicos para travar choques de oferta, mas também reduz a almofada disponível se a guerra entre os Estados Unidos e o Irão se prolongar.
A pressão no Estreito de Ormuz mantém o setor exposto a uma rota crítica. Uma passagem que concentra cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito mundial transforma conflitos regionais em risco global para preços, abastecimento e inflação.


