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Energia

Ataques a navios no estreito de Ormuz ameaçam exportações de petróleo

Quase 20 navios comerciais, sobretudo petroleiros, foram atacados no último mês na rota de Ormuz, no golfo Pérsico ou ao largo de Omã. A recuperação dos fluxos depende de proteção militar dos EUA e de transferências entre navios mais caras.

Redação Clareza
06 de outubro de 2026, 18:013 min de leitura
Ataques a navios no estreito de Ormuz ameaçam exportações de petróleo

O que se passou

Quase 20 navios comerciais, na maioria petroleiros, foram atacados no último mês enquanto navegavam pelo estreito de Ormuz, pelo golfo Pérsico ou ao largo da costa de Omã, de acordo com o Joint Maritime Information Center, um grupo de militares aliados dos EUA que emite alertas de segurança para a navegação mercante.

Michelle Wiese Bockmann, analista sénior de inteligência marítima da Windward, empresa que acompanha navios para governos e departamentos de defesa, disse que o Irão atacou cerca de dois navios por cada 100 que atravessaram o estreito no terceiro trimestre.

Os fluxos de petróleo por Ormuz recuperaram face a fases anteriores da guerra, mas continuam instáveis. Dados da Kpler indicam que os embarques atingiram uma média de cerca de 10,3 milhões de barris por dia na semana terminada no sábado, cerca de 23% abaixo da referência pré-guerra de 13,5 milhões de barris por dia.

A Windward estima que o crude que passa por Ormuz esteja entre 9 e 10 milhões de barris por dia, abaixo de uma referência pré-guerra de 14,5 milhões. Em muitos casos, os petroleiros transportam crude por Ormuz e depois transferem a carga para outros navios no golfo de Omã, que seguem para a Ásia.

O que isto significa

O estreito de Ormuz continua a ser uma das rotas mais sensíveis para o mercado petrolífero. A recuperação parcial dos volumes mostra que o crude está a sair da região, mas não nas mesmas condições de antes da guerra.

O transporte tornou-se mais caro e mais complexo. Bob McNally, presidente da Rapidan Energy e antigo conselheiro de energia do Presidente George W. Bush, disse que em Washington ninguém vê como sustentável o custo da proteção militar dos EUA, das transferências entre navios e das taxas mais elevadas dos petroleiros.

O risco também aparece nos preços. O Brent, referência internacional do petróleo, continua perto de 100 dólares por barril, apesar de mais crude estar a sair de Ormuz. McNally associou esse nível ao custo de entregar, segurar e fazer chegar o crude às regiões consumidoras.

Os investidores em energia já não avaliam apenas o volume exportado. A segurança da rota, o custo do frete e o custo do seguro passam a pesar mais na leitura dos preços do petróleo e das margens ao longo da cadeia.

Porque deves querer saber

O petróleo sai, mas a rota ficou mais cara

Os dados apontam para uma recuperação parcial dos embarques, mas também para uma operação menos eficiente. O uso de transferências entre navios reduz a exposição direta em Ormuz, mas obriga a usar mais embarcações para transportar a mesma carga.

A pressão aparece nos custos. Segundo Michelle Wiese Bockmann, o transporte de crude do golfo Pérsico para a China subiu para 1 milhão de dólares por dia por petroleiro à medida que a segurança se deteriorou.

Ormuz continua a mandar no prémio de risco da energia

A instabilidade em Ormuz mostra como uma melhoria nos volumes não elimina o risco geopolítico. O petróleo pode chegar ao mercado, mas chega com mais escolta, mais seguros e mais passos logísticos.

Richard Meade, editor-chefe da Lloyd’s List, disse que os fluxos recuperaram porque os participantes no mercado aceitaram maior complexidade operacional e custos mais altos. Essa diferença ajuda a explicar porque os preços continuam elevados mesmo com mais barris a circular.

Fontes

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