Zelensky sugere que Trump está a pressionar a Ucrânia a capitular
O Presidente ucraniano aponta atrasos na entrega de armamento e o acordo para os EUA importarem petróleo russo. Trump defende que novas sanções afastariam Moscovo das negociações.
O que se passou
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, sugeriu numa entrevista à Bloomberg publicada no domingo que as decisões de Washington parecem procurar levar Kiev a capitular perante Moscovo. Ressalvou, porém, que não afirma ser esse o objetivo dos aliados norte-americanos.
Zelensky disse que os Estados Unidos estão a entregar apenas 12 mísseis de interceção Patriot por mês, um quarto do volume enviado durante a presidência de Joe Biden. Segundo o líder ucraniano, as armas já foram pagas e parte das entregas está autorizada, mas as restantes continuam sem aprovação por razões que considera não serem técnicas.
O Presidente ucraniano também tem criticado aparentes limitações ao uso militar do sistema de comunicações por satélite Starlink em território russo. Na entrevista, propôs deixar de atacar refinarias russas se Washington acelerar a entrega de mísseis Patriot para proteger as infraestruturas ucranianas.
Donald Trump defendeu no domingo a decisão de não impor novas sanções à Rússia e o acordo anunciado dias antes que permite aos Estados Unidos importar petróleo russo. Argumentou que a aprovação da chamada Lei Graham, relativa a novas sanções, levaria Moscovo a abandonar as negociações. Disse ainda que os ataques ucranianos às refinarias russas estão a causar danos também nos Estados Unidos.
Zelensky classificou como perigosos os dias que antecedem as eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro, nas quais os republicanos procuram manter o controlo do Congresso.
O que isto significa
O petróleo está no centro de uma divergência entre Washington e Kiev sobre a condução do conflito. Trump quer travar os ataques às refinarias russas, enquanto Zelensky procura ligar essa concessão ao reforço da defesa das infraestruturas ucranianas.
Para avaliares a exposição ao setor energético, importa distinguir as decisões já anunciadas das condições ainda em discussão. O acordo para importar petróleo russo foi anunciado, mas a suspensão dos ataques às refinarias surge como uma proposta de Zelensky, não como um compromisso alcançado.
A decisão de Trump de não aplicar novas sanções mantém em aberto a possibilidade de maior pressão económica sobre Moscovo. O Presidente norte-americano apresenta essa contenção como uma forma de preservar as negociações, enquanto Zelensky interpreta o conjunto das medidas como pressão sobre a Ucrânia.
As declarações não demonstram, por si só, uma alteração na oferta de petróleo ou nos preços. Identificam, contudo, decisões a acompanhar, como as regras de importação, eventuais sanções e a continuidade dos ataques às refinarias.
Porque deves querer saber
O petróleo entra na negociação
O acordo que permite aos Estados Unidos importar petróleo russo aproxima a política comercial da negociação sobre o conflito. Ao mesmo tempo, Trump opõe-se aos ataques ucranianos às refinarias e invoca os danos que considera estarem a provocar também nos EUA.
Se acompanhas empresas de energia, estas decisões ajudam-te a identificar possíveis mudanças nas condições de comércio. Não permitem concluir que haverá mais petróleo disponível, porque a notícia não apresenta volumes de importação nem efeitos sobre a produção.
A ajuda militar torna-se moeda de negociação
Zelensky procura associar a interrupção dos ataques às refinarias à aceleração das entregas de Patriot. A proposta liga diretamente a proteção das infraestruturas ucranianas à pressão exercida sobre a capacidade de refinação russa.
A divergência mostra que a ajuda militar e as sanções económicas estão a ser discutidas em conjunto. Para quem investe, acompanhar apenas os anúncios sobre petróleo deixa de fora as decisões militares que podem alterar os termos dessa negociação.

