WEG quer quadruplicar faturação em Portugal até 2035
A multinacional brasileira prevê fechar 2026 perto dos 110 milhões de euros e chegar aos 200 milhões até 2030. Santo Tirso deverá ganhar produção de carregadores para veículos elétricos.
O que se passou
A WEG quer acelerar o crescimento em Portugal a partir do parque industrial de Santo Tirso. A empresa prevê fechar este ano com faturação próxima dos 110 milhões de euros e duplicar esse valor para 200 milhões até 2030.
O objetivo seguinte é voltar a duplicar a faturação nos cinco anos seguintes, chegando aos 400 milhões de euros em 2035. Vitor Gorni, Purchasing Manager da WEG, afirmou no Fórum AICEP que a meta exige crescimento anual de 15%, abaixo da média de 17% registada desde a entrada da empresa em Portugal.
A WEG emprega cerca de 900 pessoas no país. Em Santo Tirso, tem duas fábricas, um novo armazém logístico, produção de motores de baixa e alta tensão, um centro de investigação e desenvolvimento e instalações de teste para o mercado europeu.
A empresa produz mais de 10 mil motores por ano em Portugal e cerca de 90% seguem para exportação. A WEG está também a preparar a fábrica para produzir carregadores de veículos elétricos, que atualmente importa do Brasil para revender em Portugal.
O que isto significa
A meta dá escala à presença portuguesa da WEG dentro do grupo. Portugal não aparece apenas como mercado local, mas como base industrial de exportação, com produção, logística, investigação e testes concentrados em Santo Tirso.
Para quem investe, o plano mostra onde a empresa vê capacidade de crescimento na Europa. Motores elétricos, eficiência energética, mobilidade elétrica e renováveis estão ligados a investimentos industriais que continuam a ganhar peso nas cadeias de abastecimento europeias.
O número mais relevante é a ambição de chegar aos 400 milhões de euros em 2035. A empresa já parte de uma base industrial instalada e de uma carteira maioritariamente exportadora, mas a execução depende de manter ritmos elevados de crescimento durante vários anos.
A decisão de fabricar carregadores em Portugal também reduz a dependência da importação desse produto a partir do Brasil. Se avançar como previsto, Santo Tirso passa a ter mais uma linha de negócio para além dos motores, com impacto direto na utilização das fábricas e na diversificação das receitas locais.
Porque deves querer saber
Santo Tirso ganha peso industrial dentro da WEG
A WEG mudou em definitivo as operações da Maia para Santo Tirso há dois anos e já acrescentou um novo armazém logístico. A retirada de matéria-prima da fábrica libertou capacidade para produzir mais.
A unidade portuguesa concentra cinco áreas de negócio do grupo, além de I&D e testes. Essa concentração ajuda a explicar a ambição de crescimento, porque a operação não depende apenas de vender motores no mercado interno.
A eletrificação abre novas linhas de receita
A produção prevista de carregadores de veículos elétricos aproxima Portugal de uma área que a WEG ainda serve com produto importado do Brasil. Fabricar localmente pode encurtar a cadeia logística e integrar melhor a oferta europeia da empresa.
A aposta encaixa com os outros segmentos citados pela empresa, como eficiência energética, eficiência operacional e renováveis. A indústria europeia continua a procurar equipamentos que reduzam consumo energético e apoiem eletrificação, e a WEG quer usar Portugal para servir essa procura.

