Aramco diz que repor stocks globais de petróleo pode levar dois anos
Amin Nasser, presidente executivo da Saudi Aramco, avisou que a pressão na oferta pode agravar-se enquanto durar a guerra entre os EUA e o Irão. O estreito de Ormuz continua no centro do risco energético global.
O que se passou
Amin Nasser disse esta segunda-feira, numa conferência da Energy Intelligence em Londres, que a reposição dos inventários globais de petróleo pode demorar até dois anos. O presidente executivo da Saudi Aramco ligou esse prazo à necessidade de reconstruir stocks enquanto a procura continua a ser satisfeita.
Nasser afirmou que a pressão sobre o mercado deverá intensificar-se até o estreito de Ormuz reabrir totalmente e a confiança regressar aos mercados de energia. A passagem é considerada estratégica porque por ali circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.
A guerra entre os EUA e o Irão perturbou o transporte marítimo através do estreito. Nasser disse que quase 3 mil milhões de barris de oferta de petróleo se perderam desde que os EUA e Israel lançaram ataques militares contra o Irão no final de fevereiro.
Na sexta-feira, os governos do G7 tinham acordado libertar 100 milhões de barris de gasóleo e crude de reservas de emergência. Segundo Nasser, já foram libertados 1 mil milhão de barris de stocks, sobretudo de inventários comerciais.
Os preços do petróleo negociavam ligeiramente em queda esta segunda-feira. O Brent para entrega em dezembro recuava 0,1%, para 102,20 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate para novembro caía 0,5%, para 90,64 dólares.
O que isto significa
A mensagem da Aramco aponta para um mercado ainda vulnerável, mesmo que os preços não tenham subido nesta sessão. A libertação de reservas pode aliviar a falta de oferta no curto prazo, mas não resolve sozinha a reposição dos inventários que já foram usados.
O estreito de Ormuz continua a ser a variável central. Enquanto a circulação não normalizar e os compradores não voltarem a confiar nas rotas de abastecimento, o prémio de risco geopolítico tende a pesar nas decisões de produtores, refinarias e grandes consumidores de energia.
Para quem investe, o dado relevante é a duração potencial do aperto. Um período de até dois anos para recompor stocks prolonga a incerteza sobre margens de refinação, custos de transporte e inflação energética.
A ligeira queda do Brent e do WTI mostra que o mercado também está a reagir ao aumento recente das exportações do Médio Oriente. Ainda assim, fluxos melhores no curto prazo não eliminam a perda acumulada de oferta nem a dependência de reservas que não estão todas facilmente disponíveis.
Porque deves querer saber
A Aramco coloca um prazo no aperto da oferta
A Saudi Aramco deu ao mercado uma referência temporal para a recomposição dos stocks. Até dois anos é um horizonte longo para um mercado que já teve de recorrer a reservas comerciais e a decisões coordenadas do G7.
A empresa também chamou a atenção para a qualidade desses stocks. Nasser disse que cerca de 6 mil milhões de barris ainda em armazenamento não estão praticamente disponíveis, o que reduz a folga que os investidores podem assumir nos cálculos de oferta.
Ormuz continua a condicionar a energia global
O estreito de Ormuz concentra cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito. Quando a navegação nessa passagem é perturbada, o impacto não fica limitado ao crude. Chega aos combustíveis, à indústria e aos custos de transporte.
A decisão do G7 de libertar 100 milhões de barris mostra que os governos estão a tentar travar efeitos económicos mais largos. Para os mercados, a questão deixou de ser apenas o preço diário do barril. Passa também pela capacidade de reconstruir reservas sem criar nova pressão sobre a oferta.

