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Empresas

Schneider Electric cai 9% após acordo para comprar a PTC

A empresa francesa quer pagar 205 dólares por ação numa operação em dinheiro avaliada em 22,6 mil milhões de dólares. A compra é a maior da sua história e deverá ficar concluída no terceiro trimestre de 2027.

Redação Clareza
05 de outubro de 2026, 19:373 min de leitura
Schneider Electric cai 9% após acordo para comprar a PTC

O que se passou

As ações da Schneider Electric caíram cerca de 9% na segunda-feira depois de a empresa anunciar a compra da norte-americana PTC por 22,6 mil milhões de dólares.

A oferta é totalmente em dinheiro e avalia cada ação da PTC em 205 dólares. O preço representa um prémio de 42,3% face ao último fecho da PTC.

A Schneider espera concluir a operação no terceiro trimestre de 2027. A aquisição será financiada com uma combinação de novas ações e dívida.

A empresa prevê levantar entre 5 mil milhões e 6 mil milhões de euros através de uma colocação acelerada de novas ações. Também planeia contrair entre 16 mil milhões e 17 mil milhões de euros em nova dívida.

A Schneider afirmou que a operação fica avaliada em 13 vezes os resultados depois de incluir sinergias. Antes dessas sinergias, a oferta avalia a PTC em cerca de 20 a 21 vezes o EBITDA esperado para 2027.

O que isto significa

A reação negativa mostra que os investidores se focaram no preço pago e no financiamento. A Schneider está a comprar uma empresa de software industrial com um prémio elevado e a operação aumenta a alavancagem, que mede o peso da dívida face à capacidade de gerar resultados.

A compra também dilui os acionistas atuais, porque parte do financiamento virá da emissão de novas ações. Mesmo que a estratégia faça sentido, o mercado está a pedir mais prova de que a Schneider conseguirá transformar a escala da PTC em crescimento e margens.

As sinergias prometidas incluem 250 milhões de euros em poupanças anuais de custos e 800 milhões de euros em sinergias de receitas. As poupanças costumam ser mais fáceis de controlar do que as receitas adicionais, que dependem de vender mais aos clientes e integrar bem as ofertas.

A operação reforça a ambição da Schneider no software industrial, uma área onde a empresa já tinha mostrado interesse com movimentos ligados à Aveva e à Bentley Systems. A diferença agora está no tamanho. O acordo com a PTC é a maior aquisição da sua história e representa cerca de 12% da capitalização bolsista da Schneider, de acordo com o JPMorgan.

Porque deves querer saber

A Schneider paga escala no software industrial

A Schneider quer juntar hardware elétrico, automação e software industrial numa oferta mais completa para fábricas, infraestruturas e clientes empresariais. A PTC acrescenta ferramentas usadas no desenho, gestão e operação de produtos industriais.

O mercado aceitou mal o tamanho do cheque. Uma compra em dinheiro de 22,6 mil milhões de dólares, financiada em grande parte por dívida, aumenta a pressão para que as sinergias apareçam nos resultados.

A data prevista de conclusão, no terceiro trimestre de 2027, também deixa um período longo até a operação estar fechada. Durante esse tempo, os investidores terão de acompanhar aprovações, financiamento e sinais sobre a integração prevista.

A IA está a mexer nas avaliações do software

A PTC foi comprada num momento em que parte do software industrial negocia com múltiplos mais baixos por receios ligados à disrupção da inteligência artificial. Analistas da Jefferies afirmaram que essas preocupações ainda pesam nas avaliações do setor.

A Schneider está a tentar aproveitar essa descida nas avaliações para comprar uma plataforma de software com uso industrial. O preço, porém, inclui um prémio grande face à cotação recente da PTC.

A operação diz que os grandes grupos industriais continuam interessados em controlar mais software, não apenas equipamento físico. A questão para o setor é se estas combinações conseguem defender margens e clientes num período em que a IA pode alterar a forma como o software é desenvolvido e vendido.

Fontes

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