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Energia

Cargas de GNL por Hormuz atingem máximo de sete meses

Os navios de gás natural liquefeito voltaram a atravessar o Estreito de Hormuz em maior número em setembro. Ainda assim, o tráfego continua muito abaixo do nível anterior à guerra iniciada em fevereiro.

Redação Clareza
03 de outubro de 2026, 21:123 min de leitura
Cargas de GNL por Hormuz atingem máximo de sete meses

O que se passou

Os rastreios de navios contaram entre 19 e 21 cargas de gás natural liquefeito a sair pelo Estreito de Hormuz em setembro. Pela contagem da S&P Global Energy, foram 19 cargas, 13 do Qatar e 6 dos Emirados Árabes Unidos. A Kpler contou 21.

Setembro foi o mês mais movimentado desde o início da guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, em fevereiro. Antes da guerra, cerca de 85 navios tinham saído em fevereiro. Em março, o tráfego caiu para perto de zero.

Desde então, as saídas mensais ficaram entre cerca de 2 e 15 navios. Mesmo com a recuperação de setembro, os volumes continuam perto de 80% abaixo do nível anterior à guerra.

Um analista da S&P Global Energy estima que, se o ritmo de setembro se mantiver em outubro, as passagens recuperarão apenas para cerca de 25% dos níveis anteriores à guerra. A incerteza é maior porque muitos navios desligam os transponders do sistema automático de identificação durante a travessia.

O que isto significa

A recuperação de setembro mostra que algum fluxo de GNL está a regressar, mas não resolve o problema de oferta. O Estreito de Hormuz continua a ser uma passagem crítica para o mercado global de energia, e o nível atual ainda fica longe do normal.

A altura do ano pesa. A época de aquecimento no hemisfério norte aproxima-se, e a concorrência por cargas de GNL pode aumentar se a passagem voltar a ser limitada. O Qatar prolongou a situação de força maior no GNL enquanto as perturbações continuaram.

Nos Estados Unidos, o gás natural doméstico está mais calmo. O Henry Hub fechou a 3,18 dólares por milhão de BTU em 29 de setembro, e a Administração de Informação de Energia estimou que o armazenamento norte-americano termine a época de injeção 7% acima da média de cinco anos.

O petróleo conta uma história diferente. O Brent fechou a 113,96 dólares em 29 de setembro, depois de ter tocado 130,80 dólares em 15 de setembro. A gasolina regular nos Estados Unidos ficou em 4,46 dólares por galão na semana de 28 de setembro, mais 0,38 dólares num mês e acima dos 2,78 dólares de janeiro.

Porque deves querer saber

O tráfego voltou, mas ainda não normalizou

O aumento das cargas em setembro reduz a pressão imediata sobre compradores de GNL, mas não representa uma reabertura total. A estimativa de recuperação para 25% dos níveis anteriores à guerra mostra que o mercado continua a funcionar com margem limitada.

O número de outubro passa a ser central para investidores em energia. Uma repetição do ritmo de setembro sustenta a ideia de recuperação parcial. Uma quebra voltaria a pressionar Europa e Ásia na disputa por cargas disponíveis.

O inverno aumenta o peso da geopolítica

A aproximação da época de aquecimento torna cada carga mais relevante. Se Hormuz continuar instável, os compradores terão menos flexibilidade para substituir fornecimento e poderão depender mais das exportações norte-americanas.

As empresas já estão a agir como se a instabilidade durasse. A ConocoPhillips assinou esta semana um contrato de GNL de 20 anos com a Venture Global, enquanto a EIA prevê exportações norte-americanas de GNL de 17,0 mil milhões de pés cúbicos por dia este ano.

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