Putin terá proposto cimeira com Trump e Xi sem a Ucrânia
O Wall Street Journal avança que a proposta foi feita numa chamada com Trump a 9 de outubro. A reunião não está confirmada e surge numa altura de tensão entre Washington e Kiev devido ao alívio de sanções à Rússia.
O que se passou
Vladimir Putin terá proposto uma cimeira com Donald Trump e Xi Jinping para negociar um acordo que ponha fim à guerra na Ucrânia. O Wall Street Journal noticiou a proposta, citando um antigo oficial dos serviços de informações russos informado sobre o assunto.
A ideia terá sido apresentada numa conversa telefónica com Trump a 9 de outubro. A reunião não está confirmada, mas poderá decorrer durante a cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, em novembro, na cidade chinesa de Shenzhen. O formato descrito não inclui o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy.
A mesma chamada resultou num acordo para Moscovo vender gasóleo no mercado mundial. Trump defendeu durante o fim de semana a suspensão temporária de sanções às exportações russas deste combustível, argumentando que não queria afastar a Rússia das negociações.
Zelenskyy criticou o recuo nas sanções e acusou Moscovo de não responder com medidas equivalentes. Entretanto, os ataques prosseguiram. A Ucrânia atingiu um terminal de exportação de petróleo e uma refinaria em São Petersburgo, enquanto a Rússia atacou Kiev com mísseis balísticos.
O que isto significa
A proposta ainda não representa um acordo de paz nem uma negociação formalmente marcada. Para avaliares o seu alcance, a distinção essencial é entre a iniciativa diplomática relatada pelo jornal e decisões já tomadas, como o alívio temporário das sanções ao gasóleo russo.
Esse alívio é o elemento com ligação mais direta ao mercado energético, porque permite vendas russas no mercado mundial. Trump também pediu à Ucrânia que deixasse de atacar infraestruturas energéticas russas, alegando que esses ataques estavam a aumentar os preços do gasóleo. Esta é a justificação do presidente norte-americano, não uma relação de preços demonstrada pelos dados disponíveis.
A continuação dos ataques mostra que as iniciativas diplomáticas ainda não interromperam o conflito. O cessar-fogo energético anunciado por Trump a 11 de outubro foi seguido por novos ataques russos a infraestruturas ucranianas. Kiev suspendeu os seus ataques durante três dias, mas depois retomou-os.
A eventual exclusão da Ucrânia torna também mais relevante a divergência entre Washington e Kiev. Os Estados Unidos são o maior fornecedor de apoio militar à Ucrânia, e as recentes decisões de Trump provocaram alarme entre aliados europeus e críticas de alguns republicanos.
Porque deves querer saber
O gasóleo russo ganha acesso ao mercado
A suspensão temporária das sanções às exportações russas de gasóleo tem um efeito comercial mais concreto do que a hipótese de uma cimeira. Permite a Moscovo vender o combustível no mercado mundial enquanto continuam os ataques a instalações energéticas.
Se acompanhas o setor energético, importa distinguir a autorização de venda da segurança do abastecimento. O alívio das sanções não impediu novos ataques ucranianos a um terminal petrolífero e a uma refinaria, nem os ataques russos a infraestruturas da Ucrânia.
Uma negociação sem Kiev divide os aliados
Uma cimeira entre Rússia, Estados Unidos e China sem a participação ucraniana colocaria as condições de paz em discussão num formato que exclui o país invadido. Por enquanto, trata-se de uma proposta relatada pelo Wall Street Journal, sem confirmação da reunião.
A tensão já é visível na relação entre Kiev e o seu maior apoiante militar. Zelenskyy criticou o levantamento de sanções, enquanto Trump o acusou de não querer terminar a guerra. Esta divergência dificulta uma posição comum dos aliados sobre as condições para negociar com Moscovo.

