Amazon prevê perda bruta de 612 milhões de dólares nos dispositivos
Um documento interno aponta para perdas superiores ao objetivo da administração. O encarecimento das memórias obriga a empresa a equilibrar preços, vendas e rentabilidade do hardware.
O que se passou
A Amazon previa uma perda bruta de 612 milhões de dólares no negócio de dispositivos próprios em 2026, segundo um documento interno de agosto obtido pelo Business Insider. O objetivo da administração era limitar essa perda a 438 milhões de dólares.
O documento identifica a subida dos custos das memórias como uma fonte de pressão sobre a rentabilidade. A empresa enfrentava escolhas difíceis entre o volume de vendas, o preço médio dos equipamentos e o resultado bruto. A previsão não inclui todas as despesas operacionais, como investigação e desenvolvimento ou marketing.
Apesar dessa pressão, a Amazon apresentou em outubro novos Kindles, tablets com Alexa, fechaduras inteligentes Ring e dispositivos de inteligência artificial de uso pessoal da marca Bee. O plano de agosto classificava a Bee e os novos óculos inteligentes como produtos estratégicos ainda em fase de investimento.
Nos tablets, a empresa substituiu a gama Fire, após 15 anos, pelos Alexa Tablets com Alexa+, mais caros. Os novos equipamentos custam entre 229,99 e 499,99 dólares. Em agosto, a Amazon já tinha aumentado os preços de produtos Echo, Kindle e Fire TV.
O que isto significa
A previsão revela pressão sobre o hardware antes mesmo de contabilizar todas as despesas necessárias para desenvolver e vender os produtos. Não se trata de uma perda líquida da Amazon nem de resultados já apurados, mas de uma estimativa interna para uma área específica do negócio.
A Amazon tem usado equipamentos baratos para atrair clientes para o seu ecossistema de compras e conteúdos digitais. As subscrições podem gerar receitas depois da venda do aparelho, mas componentes mais caros aumentam o custo dessa estratégia. Subir preços ajuda a absorver esse encargo, embora obrigue a empresa a ponderar o efeito nas vendas.
A expansão da inteligência artificial coloca a Amazon dos dois lados da pressão sobre as memórias. A empresa espera investir cerca de 220 mil milhões de dólares em 2026, sobretudo na expansão dos data centers da AWS para responder à procura de IA. Ao mesmo tempo, o aumento da procura de chips e a capacidade desviada para memórias destinadas a servidores de IA encarecem componentes usados nos seus dispositivos.
O custo não termina no equipamento. Segundo o Business Insider, previsões internas apontavam para cerca de 1,7 mil milhões de dólares em custos de cloud da AWS para a Alexa+ em 2026. Avaliar a rentabilidade destes produtos exige, por isso, acompanhar tanto a margem na venda como as receitas e despesas dos serviços que os acompanham.
Porque deves querer saber
Tablets mais caros alteram a porta de entrada na Amazon
A substituição dos Fire por Alexa Tablets mais caros mostra uma mudança concreta numa gama associada a preços acessíveis. A Amazon continua a lançar equipamentos, mas já não mantém a mesma proposta de entrada nos tablets.
Se acompanhas a empresa, a evolução dos preços e das vendas ajuda-te a perceber como está a gerir o aumento dos custos. O documento interno mostra que proteger o resultado bruto e preservar o volume de equipamentos vendidos são objetivos que podem entrar em conflito.
A procura de IA encarece a eletrónica de consumo
Os investimentos em data centers aumentaram a procura de memórias. Os fabricantes também dedicaram mais capacidade às memórias de elevada largura de banda usadas em servidores de IA, reduzindo a disponibilidade de componentes para a eletrónica de consumo.
A pressão não se limita à Amazon. Apple, Dell, HP e Lenovo também enfrentam custos de memória mais elevados. Isto ajuda-te a distinguir o crescimento da procura de IA dos seus efeitos nos restantes negócios tecnológicos, onde componentes mais caros podem pressionar margens ou chegar ao preço final.


