Volvo Cars cai 27% e anuncia corte de 2.500 empregos
As receitas na China caíram quase 50% e o terceiro trimestre terminou com um prejuízo operacional. A fabricante quer reduzir custos em 5 mil milhões de coroas suecas e adaptar os carros ao mercado chinês.
O que se passou
As ações da Volvo Cars caíram 27% depois de a fabricante sueca apresentar os resultados do terceiro trimestre e anunciar a eliminação de 2.500 postos de trabalho. O anúncio foi feito a 23 de outubro, numa altura de deterioração das condições de mercado na China e nos Estados Unidos.
A empresa registou um prejuízo operacional de 5,6 mil milhões de coroas suecas, face a um lucro operacional de 6,4 mil milhões no período anterior. As condições mais difíceis nos dois mercados também afetaram negativamente o fluxo de caixa livre, o dinheiro que sobra depois das despesas operacionais e do investimento.
Na China, as receitas recuaram quase 50% em termos homólogos. A Volvo Cars atribuiu a quebra à concorrência intensa de novas marcas chinesas, que está também a pressionar os preços dos automóveis de gama alta. Nos Estados Unidos, apontou o impacto das tarifas e a redução dos incentivos à compra de carros elétricos como fatores de pressão sobre as margens.
O presidente executivo da Volvo Cars, Håkan Samuelsson, disse à CNBC que a mudança no mercado chinês foi mais rápida do que a empresa esperava. A fabricante, detida pela Geely Holding, pretende cortar 5 mil milhões de coroas suecas em custos. Dos empregos a eliminar, 2.000 estão na Suécia.
O que isto significa
A dimensão da quebra na China mostra que o problema vai além de um trimestre de vendas fracas. Samuelsson considera que vender carros globais desenvolvidos na Europa e na China deixou de funcionar naquele mercado, onde os consumidores estão a escolher alternativas locais mais competitivas.
A resposta passa por dar mais autonomia às regiões e desenvolver automóveis adaptados aos clientes chineses. O presidente executivo defende a partilha de algumas plataformas com a Geely e o desenvolvimento na China de software para os sistemas de entretenimento e de assistência à condução.
Os cortes de emprego acompanham essa mudança de organização. Segundo Samuelsson, regiões com mais poder de decisão exigem menos recursos na estrutura central. A redução de custos procura, assim, responder à deterioração dos resultados e ajustar a empresa a uma gestão mais regional.
Se acompanhas a ação, a evolução das receitas chinesas e do fluxo de caixa livre ajuda-te a avaliar os próximos resultados. Os cortes de custos são uma resposta interna, mas não eliminam a pressão sobre os preços na China nem os efeitos das tarifas e dos menores incentivos aos elétricos nos Estados Unidos.
Porque deves querer saber
Os cortes chegam à estrutura central
A eliminação de 2.500 empregos faz parte de uma redução de custos de 5 mil milhões de coroas suecas. Com 2.000 postos afetados na Suécia, o ajustamento concentra-se no país de origem da fabricante.
A empresa pretende reduzir a administração central à medida que dá mais autonomia às regiões. Para avaliares os resultados desta reorganização, importa distinguir a poupança obtida da capacidade de recuperar vendas e aliviar a pressão sobre as margens.
A China exige carros mais locais
Samuelsson diz que as marcas chinesas ganharam competitividade e estão a atrair consumidores que antes procuravam alternativas estrangeiras. Na sua avaliação, esta mudança afeta os fabricantes ocidentais presentes na China, não apenas a Volvo Cars.
A resposta proposta inclui plataformas partilhadas com a Geely e software desenvolvido localmente. Isso muda as exigências para competir no mercado chinês. A presença comercial de uma marca global deixa de bastar se o produto não acompanhar as preferências locais e os preços da concorrência.

