Finlândia e Noruega retomam diálogo com Putin sobre a Ucrânia
Os dois líderes nórdicos falaram também com Zelensky, após contactos com o Presidente russo. A iniciativa aborda a retoma das negociações de paz, mas expõe divergências entre aliados europeus.
O que se passou
O Presidente finlandês, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Store, falaram a 27 de outubro com Vladimir Putin e, depois, com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Os contactos seguiram-se às discussões entre Zelensky e emissários norte-americanos em Oslo, na semana anterior.
Stubb classificou a conversa com Putin como “franca e substancial”. Os dois dirigentes nórdicos disseram que o contacto foi preparado em consulta com a Ucrânia. Segundo o Kremlin, Putin incentivou a continuação das conversações, mas reiterou que um acordo terá de contemplar os interesses da Rússia.
Os interlocutores saudaram a decisão de retomar em breve as negociações de paz com mediação dos Estados Unidos, paradas desde fevereiro devido à guerra no Irão. Discutiram ainda garantias de segurança para a Rússia e a Ucrânia após o fim dos combates e a trégua humanitária que entrou em vigor nesse dia em Oleshky, localidade ucraniana ocupada pelas tropas russas.
A segurança no mar Báltico e no norte da Europa também esteve em discussão. Stubb e Store defenderam o respeito pelo direito internacional do mar e pela livre navegação. Os três dirigentes concordaram em manter contactos telefónicos diretos.
Foi o primeiro contacto entre Stubb e Putin. Store não falava com o Presidente russo desde março de 2022. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, criticou a falta de coordenação da iniciativa, enquanto os dois líderes nórdicos esclareceram que falaram em nome próprio e não em representação dos europeus.
O que isto significa
A abertura de um canal direto permite discutir condições para o fim da guerra, mas não equivale a um entendimento. A posição divulgada pelo Kremlin mantém a exigência de que os interesses russos sejam integralmente considerados. Não foram anunciados resultados da conversa posterior com Zelensky.
Se acompanhas investimentos expostos à Europa, a distinção entre contacto diplomático e acordo é essencial. A retoma prevista das negociações mantém em discussão as garantias de segurança, mas os contactos anunciados não estabelecem condições para uma paz definitiva.
A inclusão da livre navegação na conversa alarga o alcance económico da iniciativa. O diálogo não se limitou à frente de combate na Ucrânia e incluiu a segurança marítima no Báltico e no norte da Europa, relevante para a circulação de mercadorias.
A crítica dinamarquesa mostra que a aproximação diplomática não foi acompanhada por uma posição europeia coordenada. Os próximos contactos terão de ser avaliados tanto pelos avanços nas negociações como pela capacidade dos aliados de articularem as suas iniciativas.
Porque deves querer saber
O contacto direto ainda não trouxe um acordo
A novidade imediata é a abertura de diálogo entre Putin e dois líderes de países que estão entre os principais apoiantes da Ucrânia. O compromisso de manter chamadas diretas cria um canal para dar continuidade às discussões.
Isso não permite tratar a guerra como resolvida na avaliação de investimentos europeus. As condições russas continuam presentes e os resultados da chamada com Zelensky não foram divulgados.
A segurança marítima entra na conversa
A Finlândia e a Noruega levaram à discussão o respeito pela livre navegação e pelo direito internacional do mar. O tema liga a segurança regional às condições de circulação marítima, para além do território ucraniano.
A reação da Dinamarca acrescenta uma dificuldade diplomática. Mesmo entre países próximos e apoiantes de Kiev, há divergências sobre a forma de conduzir os contactos com Moscovo, o que torna a coordenação europeia parte do processo.

