Ucrânia e Rússia retomam negociações de paz em novembro
As equipas técnicas vão reunir-se em Abu Dhabi com mediação dos Estados Unidos. Kiev exige garantias de segurança e financiamento para manter o exército durante 10 anos.
O que se passou
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou esta sexta-feira, 23 de outubro, que equipas técnicas ucranianas, russas e norte-americanas vão reunir-se na primeira metade de novembro, em Abu Dhabi. As conversações de paz estavam paralisadas desde o início do ano.
Zelensky confirmou ter falado com os enviados norte-americanos Jared Kushner e Steve Witkoff depois dos contactos destes com Vladimir Putin. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também anunciou negociações diretas entre Moscovo e Kiev, com mediação dos Estados Unidos.
Segundo a Reuters, Zelensky afirmou que qualquer acordo terá de incluir fortes garantias de segurança para a Ucrânia e financiamento por 10 anos para manter o exército ucraniano. A Rússia declarou-se disponível para retomar as conversações após o encontro de quarta-feira entre Putin e Witkoff.
O Ministério da Defesa russo anunciou ainda uma troca de prisioneiros que envolveu 270 militares de cada lado, apresentada como a maior dos últimos meses. A troca anterior, em 19 de agosto, tinha abrangido 103 militares de cada país.
O que isto significa
A marcação de uma reunião retoma o contacto diplomático, mas não equivale a um acordo de paz. O encontro anunciado será entre equipas técnicas, e as condições de segurança exigidas por Kiev continuam a fazer parte da negociação.
O financiamento militar pedido por Zelensky mostra que a discussão não se limita ao fim dos combates. A Ucrânia quer assegurar a manutenção do seu exército durante 10 anos, colocando compromissos financeiros de longo prazo no centro de qualquer entendimento.
Se acompanhas investimentos expostos à evolução do conflito, a distinção entre uma reunião marcada e um compromisso aceite é essencial. O próximo desenvolvimento relevante será perceber se os contactos produzem avanços nas garantias de segurança e no financiamento exigidos por Kiev. O anúncio, por si só, não permite concluir que o risco associado à guerra tenha diminuído.
Porque deves querer saber
O regresso à mesa ainda não é um acordo
A confirmação das conversações por Kiev e pelo Kremlin estabelece um próximo passo diplomático após meses de paralisação. A mediação norte-americana mantém os Estados Unidos diretamente envolvidos no processo.
Para avaliares o alcance do anúncio, importa separar o calendário do conteúdo. Há uma reunião prevista para novembro, mas não foi anunciado um entendimento sobre as condições de paz.
Kiev quer financiar a segurança a longo prazo
A exigência de financiamento para manter o exército durante 10 anos coloca a capacidade de defesa ucraniana para lá de um eventual acordo. Kiev procura garantias que se prolonguem no tempo, não apenas um compromisso imediato.
A dimensão económica das negociações dependerá também de quem assumir esse financiamento e em que condições. Esses compromissos não estão definidos no anúncio, pelo que ainda não é possível avaliar o seu alcance financeiro.

