Rússia diz que Ucrânia retomou ataques a três refinarias
Moscovo refere danos menores numa das instalações atingidas. Os ataques surgem depois de um acordo entre Donald Trump e Vladimir Putin para retomar o envio de gasóleo.
O que se passou
A Ucrânia retomou esta sexta-feira, 30 de outubro, os ataques contra instalações energéticas russas, após vários dias de pausa, afirmou o vice-ministro russo da Energia, Alexander Novak. Segundo o responsável, foram visadas três refinarias e um complexo de processamento de gás.
Numa entrevista à televisão pública russa, Novak não identificou a localização das instalações. Novak referiu danos menores numa delas e disse que as defesas antiaéreas russas funcionaram, em geral.
O órgão de comunicação independente russo Astra relatou um ataque a uma refinaria na região de Samara, a 800 quilómetros da fronteira ucraniana, e divulgou imagens de colunas de fumo negro. O governador regional, Vyacheslav Fedorishchev, informou que dois homens morreram durante um ataque de drones ucranianos.
Os ataques ocorreram depois de Trump e Putin terem anunciado, no início do mês, um acordo para retomar o envio de gasóleo, pelo menos até abril de 2027. Washington tem pressionado o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para que suspenda estas ofensivas.
O que isto significa
Os danos nas refinarias são o dado decisivo para avaliar as consequências no abastecimento de combustíveis. A informação divulgada por Moscovo aponta para danos menores numa instalação, mas não esclarece se houve interrupções de produção nem qual a capacidade afetada.
Uma refinaria transforma petróleo em combustíveis como o gasóleo. Por isso, um ataque a estas instalações não equivale necessariamente a uma quebra na extração de crude. O impacto depende dos equipamentos atingidos e da duração de eventuais paragens, dados que não foram divulgados.
Kiev tem usado estes ataques para tentar limitar as receitas petrolíferas que financiam o esforço de guerra russo, em resposta às ofensivas de Moscovo contra a infraestrutura energética ucraniana. A retoma mantém a capacidade de refinação russa exposta ao conflito.
O acordo sobre o gasóleo acrescenta uma dimensão económica à pressão diplomática. Trump pretende conter o preço deste combustível e a inflação, que afeta setores como os transportes e a agricultura. Os ataques colocam esse objetivo em tensão com a estratégia ucraniana de atingir as receitas energéticas russas.
Porque deves querer saber
Os danos vão determinar o efeito nos combustíveis
A referência a três refinarias atacadas não permite, por si só, medir a perda de produção. Moscovo apenas reconheceu danos menores numa instalação e não identificou os locais visados.
Se acompanhas o mercado energético, a informação a procurar é a existência de paragens e a sua duração. Sem esses dados, não há base para concluir que estes ataques provocaram uma redução relevante da oferta de combustíveis.
O gasóleo liga a guerra à pressão sobre os preços
O entendimento anunciado por Trump e Putin procura retomar o envio de gasóleo numa altura em que Washington quer conter os preços. O combustível pesa nos custos dos transportes, da agricultura e da pecuária.
A Ucrânia procura atingir as receitas russas, enquanto os Estados Unidos pressionam Kiev a suspender os ataques. Esta divergência mostra como as decisões diplomáticas sobre a guerra estão também ligadas ao abastecimento energético e à inflação.

